‘Realism’: o regresso de Stephin Merritt

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A caminho, um novo álbum com assinatura Magnetic Fields. Realism, a editar a 26 de Janeiro, com este alinhamento:

1. You Must Be Out of Your Mind
2. Interlude
3. We Are Having a Hootenanny
4. I Don’t Know What to Say
5. The Dolls’ Tea Party
6. Everything Is One Big Christmas Tree
7. Walk a Lonely Road
8. Always Already Gone
9. Seduced and Abandoned
10. Better Things
11. Painted Flower
12. The Dada Polka
13. From a Sinking Boat

Strange Boys com novo álbum em Fevereiro… mas com amostras em rede

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A música dos Strange Boys tem o dom de apenas ganhar a sua tota dimensão quando vista na primeira pessoa. Isso: são canções feitas para serem vistas. Como os vimos noutras ocasiões, como esperamos repetir. O feito poderá não tardar, até porque o quarteto texano edita um novo álbum em Fevereiro, Be Brave. O primeiro single, com o mesmo título, está a rodar no MySpace do grupo. E é razão bastante para dizer tudo isto.

Vladislav Delay: ‘Toive’

Uma descoberta tardia, que por isso também traz outra curiosidade. Vladislav Delay e Toive, (do registo Tuumma) electrónica inesperada, incoerente com expectativas, abrasiva, rítmica mas apenas dentro da sua personalidade, de graves duros, impetuosos, e tudo o resto a seguir-lhe as pisaads. Com o teledisco perfeito, assinado por Carolina Melis e Lorenzo Sportiello. As imagens aqui são mesmo os sons:

Álbum dos Them Crooked Vultures para audição online

Para os interessados, os tais senhores que editam um álbum na próxima semana segundo o nome Them Crooked Vultures revelam as canções do registo online. Está tudo aqui, para streaming e avaliações prematuras.

David Byrne: este homem é um renascentista com desleixo pop

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Ninguém deu por ele. Passeou-se pela exposição de Juliette Binoche na sexta-feira como se não fosse um dos nomes mais referenciais para músicos e compositores de hoje; como se não quisesse ser um renascentista do século XXI. Na verdade, é tudo isto, mas, ainda assim (repetimos), ninguém deu por ele. David Byrne chega ao Centro de Congressos do Estoril de bicicleta, na companhia de Cindy Sherman, sua namorada e companheira de júri no Estoril Film Festival. Passeia-se, despreocupado, entre projecções e conversas com cineastas. E diz-nos que faz isto apenas porque foi convidado e queria sair de Nova Iorque: “Não estou de férias mas é quase.”

Byrne não se queixa dos seus dias mais recentes. Esteve em digressão com as canções de “Everything That Happens Will Happen Today”, disco gravado com Brian Eno, editado no ano passado, e admite que há poucos momentos que lhe entreguem tamanho prazer: “Não foi uma coisa cansativa mas durou um ano inteiro. 12 meses entre concertos? É muito, tenho mais que fazer.” Vai daí, lança-se na elaboração do projecto “Playing The Building”, “uma encomenda de Estocolmo para reabilitar uma antiga fábrica” que esteve para ser algo completamente diferente. Desenhou um edifício transformado em microondas gigante “mas a ideia foi considerada demasiado perigosa”. Quis adulterar o sentido e a finalidade dos sistemas de segurança modernos “que identificam indivíduos pelo ADN e pela leitura dos olhos”, mas a empresa que os concebe considerou que seria má publicidade. “Resolvi então transformar um prédio num instrumento musical gigante, para que as pessoas percebam que o som e a música existem e podem ser formados em qualquer parte. Estamos todos demasiado presos a conceitos que nos limitam. Raios. Mudemos a face das coisas.”

Nos entretantos, vai cultivando os prazeres das viagens sobre duas rodas. Escolheu o novo modelo para as estruturas de parqueamento de bicicletas em Nova Iorque, publicou “Bicycle Diaries” (as crónicas ciclísticas que chegam a Portugal em 2010) e descobriu as maravilhas do eixo Estoril-Cascais. Diz-nos que estacionou a bicicleta ali perto, que por momentos não consegue pensar em mais nada: “Contraí este sentimento crónico de dependência. É um exercício que me apaixona, que faz de mim menos sério, as pessoas pensam que sou um génio criativo mas não é bem assim…”

A verdadeira desilusão de David Byrne encontramo-la nas leis do mercado, nos princípios capitalistas da indústria do entretenimento. Ninguém diria – vemo-lo vestido de quase-Verão, olhar meio perdido, sem perceber “por que razão tantas bandas falam no meu nome como influência”. Mas este desleixo é aparente: “Preocupa-me o que se passa, o facto de quem tem poder não se importar com as pessoas que realmente interessam, as que ouvem música e por ela são apaixonadas. Além de que tratar mal os clientes é um modelo de mercado errado.”

Solução: “Não tenho remédios para os outros. O meu é fazer o que me apetece, quando quero.” Ser júri de cinema e fazê-lo “como se fosse um cinéfilo numa sala de bairro”. Colaborar com gente tão distinta como os Dirty Projectors (o resultado está na compilação “Dark Was the Night”) apenas porque ” os adoro e não percebo de onde vem aquela música”. E construir uma ópera com Norman Cook, vulgo Fatboy Slim, sobre Imelda Marcos – “porque sim”. Tudo o resto parece ser acessório. Genuinamente: “‘Stop Making Sense’ [o filme- concerto realizado por Jonathan Demme] faz 25 anos? A sério?”

este texto foi originalmente publicado na edição de 9 de Novembro do jornal ‘i’

Assédio eléctrico, dizem eles

Têm sido apresentados com a expressão pop “cooler than ice cold”. Tradução: gente de ritmos, electrónicas e danças, para sempre enamorada pela  criatividade nervosa do jazz e pela respiração lânguida de gente como George Clinton ou Marvin Gaye. Os neo-zelandeses Electric Wire Hustle e “Perception”:

Electric Wire Hustle MySpace

Micachu & The Shapes: ‘Jewellery’

micachu

Está a chegar o dia marcado para a passagem por Lisboa daqueles que assinaram uma das canções mais disfuncionais e – curioso – mais cativantes do ano. Golden Phone revela boa parte daquilo que Micachu and the Shapes mostram no seu primeiro álbum, Jewellery: pop nascida nas ruas, que nos fala com a mesma simpatia com que boa parte dos projectos de Brooklyn se têm apresentado mas com um sotaque britânico inegável. São as cores da reinvenção rítmica e distorcida de Nova Iorque a conviver na melhor das harmonias com o grime e as rimas espertalhonas de gente como Mike Skinner.

É tudo isto e a confusão adolescente de quem nasceu para ser gente no século XXI, entre desordem criada pela oferta em massa de tudo o que é possível. Resultado: canções que querem ser isto e aquilo, com medo de algum dia serem de facto alguma coisa. Crescer traz dores e Jewellery é a sua banda sonora perfeita, com o carimbo da contemporaneidade. É verdade, tudo isto para recordar: dia 21, ZDB, Lisboa.

Micachu & The Shapes: MySpace

Bob Dylan e as canções de meter medo

Bob Dylan voltou à rádio para realizar mais um episódio da sua série Theme Time Radio Hour. O momento foi dedicado ao Halloween, com o apresentador a sugerir a playlist perfeita – isto depois de ter revelado há muito pouco tempo o seu primeiro discos com canções de Natal. Fica a sugestão:

“Born Under A Bad Sign” – Albert King, (1967)
“Black Cat” - Tommy Collins, (1960)
“Castin’ My Spell” – Johnny Otis, (1959)
“Beware Of The Vampire” – Denzel Laing, (1978)
“I Put A Spell On You” – Screamin’ Jay Hawkins, (1956)
“Skeletons In The Closet” – Nat Gonella & His Georgians, (1937)
Look Out, There’s A Monster” – Bonzo Dog Doo-Dah Band, (1967)
“Hoo-Doo Say” – Sly Fox, (1954)
“Superstition” – Stevie Wonder, (1972)
“Morgus The Magnificent” – Dr. John, (1959)
“That Old Black Magic” – Louis Prima & Keely Smith, (1958)
“Mr. Ghost Goes To Town” – Zeke Manners & His Swingbillies, (1936)
“Zombie Jamboree” – The Charmer (Louis Farrakhan), (1953)
“Monster Mash” – Bobby Boris Pickett, (1962)
“Dead” – The Poets, (196?)
“Ding Dong The Witch Is Dead” – June Christy, (1960)

A incógnita… a dobrar

Queremos ver como tudo isto funciona ao vivo. Saber se o cansaço de uma guitarrista é acontecimento suficiente para questionar tudo. Se haverá continuidade. Se isto é apenas o começo. Se há margem de progressão, como coisa futebolística. Se a juventude traz sabedoria. Ou se é tudo inocente obra do acaso:

Fantasias infantis de corpo inteiro

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Passámos pela sessão de abertura do Estoril Film Festival – atrasos incluídos – para reforçarmos a certeza de que Wes Anderson cultiva o seu universo próprio com a certeza dos poucos que conhecem a missão que lhes cabe, fora suportes, métodos, personagens, enredos ou exigências/limitações. Fantastic Mr Fox (adaptação da obra de Roald Dahl) abriu o evento, com a habitual distorcida visão do mundo que Anderson imprime nas suas criações, aliada às disfunções familiares que tão bem tem retratado ao longo dos anos. Película curta, dedicada ao essencial que lhe dá corpo e que reserva ainda um pequeno cameo a Jarvis Cocker, interpretando uma figura que, formalmente, não é sua, claro está.

Ao mesmo tempo, Fantastic Mr Fox é o regresso do cinema para crianças – graças  a cores, animação e personagens – que, na verdade não o é. E que promete continuar com Where The Wild Things Are, o mesmo princípio, sem stop motion, e que chega a Portugal no início do próximo ano, com o carimbo de Spike Jonze.

Yeasayer revelam ‘Ambling Alp’, canção com carimbo de 2010

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All Hour Cymbals foi álbum assinado por gente que queria assinar canções pop de espírito visionário, sem receio de cruzar referências aparentemente incompatíveis. Em 2007, os Yeasayer não revolucionaram mas acabaram por deixar a certeza de que a vontade que os rege é esclarecida, formada por boas doses de ponderação e risco. No próximo ano surgirá o sucessor desse registo, agora com o título Odd Blood. E, ao escutarmos primeiras revelações, temos a certeza de que as rimas urbanas e populares continuam a mover os desejos destes nova-iorquinos:

Yeasayer: ‘Ambling Alp’

‘The Men Who Stare At Goats’

A adaptação de The Men Who Stare At Goats, de Jon Ronson, traz Ewan McGregor à investigação de um caso mal esclarecido no seio do exército norte-americano. Mas ainda que a história motive imaginações e humores, o que aqui cativa primeiras atenções é o elenco. EStá no traier:

Allison Schulnik para os Grizzly Bear: ‘Ready Able’

Novo teledisco para um dos discos do ano, Veckatimest, dos Grizzly Bear. A canção é Ready, Able e tem na ilustração vídeo (mas não só) de Allison Schulnik a perfeita tradução de uma angústia made in novo milénio que transformada em melodia dá nesta melancolia viciante:

Allison Schulnik, norte-americana de 31 anos, compõe em Los Angeles a sua obra. Diz-se dispersa entre a pintura e o vídeo (sobretudo, façamos pausa nas restantes realidades do seu universo criativo) com resultados como este Hobo Clown.

‘In C’: mistura clássica

A Grand Valley State University New Music Ensemble gravou a sua interpretação de In C, de Terry Riley. Convidaram depois 16 músicos e compositores para darem corpo a In C Remixed, registo dividido em dois discos, que conta com a colaboração de gente como Glenn Kotche, Nico Muhly, David Lang ou DJ Spooky. Tudo isto vai estar em disco no dia 17. Por aqui, há trailer:

A Amazon diz que Neko Case assinou o disco do ano

Está oficialmente aberta a época dos “melhores do ano”. O primeiro culpado é a loja digital Amazon, com as escolhas dos seus responsáveis para os discos a reter na memória deste 2009. 50 deles:

50 The Lonely Island – Incredibad
49 Rodrigo y Gabriela – 11:11
48 Thao – Know Better Learn Faster
47 Mayer Hawthorne – A Strange Arrangement
46 Noisettes – Wild Young Hearts
45 Doom – Born Like This
44 Bonnie Prince Billy – Beware
43 Throw Me the Statue – Creaturesque
42 Lily Allen – It’s Not Me, It’s You
41 Vieux Farka Touré – Fondo
40 St. Vincent – Actor
39 Dirty Projectors – Bitte Orca
38 Silversun Pickups – Swoon
37 Cass McCombs – Catacombs
36 Bob Dylan – Together Through Life
35 Antony And The Johnsons – The Crying Light
34 Iggy Pop – Preliminaires
33 Julian Plenti – Julian Plenti Is Skyscraper
32 A.C. Newman – Get Guilty
31 U2 – No Line On The Horizon
30 Imogen Heap – Ellipse
29 Cave Singers – Welcome Joy
28 La Roux – La Roux
27 Yusuf/Cat Stevens – Roadsinger (To Warm You Through The Night)
26 Mark Knopfler – Get Lucky
25 Steve Martin – The Crow: New Songs for the Five-String Banjo
24 The Bird and the Bee – Ray Guns Are Not Just The Future
23 Various Artists – Dark Was The Night
22 Iron & Wine – Around The Well
21 Mastodon – Crack The Skye
20 Horrors – Primary Colours
19 Leonard Cohen – Live In London
18 Amadou & Mariam – Welcome To Mali
17 Sarah Jarosz – Song Up In Her Head
16 Steve Earle – Townes
15 The Swell Season – Strict Joy
14 Grizzly Bear – Veckatimest
13 Passion Pit – Manners
12 Wilco – Wilco (The Album)
11 Metric – Fantasies
10 Camera Obscura – My Maudlin Career
09 Jay-Z – The Blueprint 3
08 K’Naan – Troubadour
07 Animal Collective – Merriweather Post Pavillion
06 Girls – Album
05 The Avett Brothers – I And Love And You
04 The Pains Of Being Pure At Heart – The Pains Of Being Pure At Heart
03 Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
02 Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz
01 Neko Case – Middle Cyclone

 

Avisos sortidos: Tornados e Golpes com palcos a meias

7 de Novembro na Tertúlia Castelense (Maia), 22h3; 18 de Dezembro no Santiago Alquimista (Lisboa), 22h:

tornados golpes

‘Sisterworld’, dos Liars, em 2010

Os Liars vão ter novo álbum no próximo ano, com o título Sisteworld. Dizem os próprios que será uma espécie de estudo em volta das forms de vida que pairam sobre Los Angeles. E só por causa disso queremos lembrar-nos de coisas tão fascinantes como It Fit When I Was a Kid (2005). Raios:

Jovens de fé em coro – isto é nome de coisa pop

The-Choir-of-Young-Believers

Ao que parece, chegámos atrasados – ainda assim, convictos. The Choir of Young Believers, a julgar pela amostra, é concepção do dinamarquês Jannis Noya Makrigiannis, que com 26 anos traz decorados os acordes que habitualmente pontuam nos hinos aos sonhos desfeitos do norte da Europa; mas transforma-os em momento de frágil contemplação. Ou então não é nada disto e basta-nos uma explicação como “eis o jovem que passou demasiado tempo no quarto a ouvir os lamentos de Thom Yorke e agora que fazer das audições exaustivas coisa sua, juntando-lhe sensibilidades entretanto aprendidas por outras paragens”. Pelo menos a julgar por esta amostra, Why Must It Always Be This Away, entre palcos do festival novaiorquino CMJ. O disco vai rodando:

O álbum tem como título This is For The White In Your Eyes e está por aí desde Agosto.

Cold Cave: ‘Love Comes Close’

ColdCave

Nos servidores da Soundcloud está, para consulta pública, o álbum dos Cold Cave, Love Comes Close, coisa nascida entre Kraftwerk e Phil Oakey, Ian Curtis, Morrissey e Stone Roses. Nem sempre seguindos os melhores – ou mais atractivos – dos parâmetros que todos estes deixaram como regra. Mas demonstrando esforço pop, com construções que querem ser negras a todo o custo mas sem evitar a pista de dança. Disfuncional e nem sempre previsível, mas dançante. Ainda assim, conjunto de programações e escritas sintetizadas a pedir boa dose de remisturas com os melhores carimbos contemporâneos.

Ryan Adams: outra vez o regresso

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Ao que parece é o regresso à composição e gravação de canções, coisa que Ryan Adams anunciou ter deixado de parte há uns tempos – pelo menos de forma séria e comprometida, do mesmo homem que também jurou nunca querer ter sido uma estrela rock. O que nos revela por estes dias é Jimmy Whistlenut, pedaço de ode baladeira, ao jeito de um Springsteen menos envelhecido, para cantar ao piano. Foi editado como single em vinil, já esgotado, através da Pax Am Records, que o próprio fez questão de reerguer. Em digital, é isto:

Ryan Adams: ‘Jimmy Whistlenut’