Suede: “Britpop? Foi tramado mas ainda bem que aconteceu”

suedebarriers

Começaram por brincar às bandas em 1989, lançaram o single de estreia, “The Drowners”, em 1992 e o primeiro álbum, homónimo, no ano seguinte. Eram, dizia a imprensa local, a melhor coisa a acontecer na música britânica e marcaram o arranque da britpop. Dez anos depois decidiram parar – “achámos que não íamos voltar a fazer um bom disco juntos”, diz–nos o entrevistado a meio da conversa. Em 2010 tudo mudou. Juntos no palco, descobrem que há poucas coisas melhores que ter uma banda e voltam aos concertos e ao estúdio. Esta semana apresentam “Bloodsports” em Portugal, com dois concertos que – esperam os fãs dedicados do grupo – deverão passar também por discos mais antigos. Telefonámos ao baixista Mat Osman pouco antes de mais um concerto da digressão europeia.

Têm algum ritual antes de entrar em palco? 
Temos tantos que chega a ser ridículo, a maior parte das pessoas não acredita. Chegamos ao sítio do concerto sempre horas antes. Temos canções da sorte e bebidas da sorte e há todas as coisas que não podemos dizer antes de ir para o palco, é um pouco complicado.

Quando decidiram voltar a tocar juntos, a principal razão foi o palco? 
Reunimo-nos porque nos convidaram [para o concerto a favor do Teenager Cancer Trust, no Royal Albert Hall]. Na verdade nunca tínhamos pensado muito nisso. E não era a coisa que mais queríamos fazer. Mas ao mesmo tempo nunca ficámos muito contentes com a forma como as coisas acabaram.

Porquê?
Não foi um final bonito, se é para acabar que seja em grande. E a verdade é que voltámos a sentir aquela coisa do ego rock’n’roll, de num dado momento seres maior que tudo. Foi a mesma coisa que nos fez começar a banda. Há uma razão para que ninguém no meio disto queira desistir. É difícil lembrarmo-nos de alguém que tenha voluntariamente dito “não quero mais disto”. E uma das coisas boas de voltar é percebermos como somos privilegiados. Eu e o Brett [Anderson, vocalista] começámos a fazer música quando tínhamos 16, 17 anos. Nunca fizemos outra coisa e a dada altura tínhamos tudo isto como garantido, que nunca iria terminar. Mas nunca sabes o que é perder alguma coisa até de facto a perderes. E quando fizemos o disco novo tentámos não esquecer isso.

Gravar um novo disco não foi perigoso? Muitas vezes é o fim rápido das reuniões… 
Não foi mas podia ter sido. Porque é verdade, muitas bandas que se reúnem acabam por fazer discos muito maus. Por causa da preguiça. Quisemos fazer o contrário.

Por que razão se separaram? 
Puramente por questões musicais, nunca tivemos problemas pessoais nem precisámos de resolver questões antes de voltar a tocar. Achámos apenas que não íamos voltar a fazer um bom disco juntos.

Agora quando estão em palco é como era há 20 anos, diferenças óbvias à parte? 
A mesma coisa. E ainda dependemos do público. Se é mais velho e está ali apenas para ouvir, então aí a coisas podem ser mais calmas. Mas em algumas ocasiões somos uma banda completamente nova, com um público que nunca nos viu. E as canções são meio dramáticas, foram feitas para o palco. Mas na verdade é uma mistura. Vai tudo ficando mais careca e gordo à medida que as filas na plateia se sucedem. Tentamos passar muito tempo na Ásia ou na América do Sul porque não o fizemos muito no passado. Se tocássemos só para os que nos viram há 20 anos se calhar não andávamos em digressão.

Mas o “estrada fora” tem sempre o seu encanto… 
Gosto dos concertos mas não especialmente da digressão. Andar em tour é como ir de férias e nunca chegar ao destino e isso não é muito divertido.

Sentem falta de todo aquele buzz do início dos anos 90, da britpop e tudo o que lhe estava associado? 
Não. Foi tramado mas ainda bem que tudo aconteceu. Porque trouxe alguns problemas, é verdade… Mas são coisas óptimas para o ego, claro. Quando voltámos e o álbum foi editado foi estranho perceber que as pessoas passaram a escrever sobre a música, sobre as canções. Deixou de ser sobre a nossa história, se estávamos felizes ou deprimidos. Estar nos jornais, seja por que razão for, é uma coisa óptima quando és novo mas agora não faz sentido.

E na verdade o Brett e o Bernard [Butler, guitarrista original do grupo] foram os mais atingidos por essa sobrexposição. 
Claro. Se alguém me conhece, se sabe quem sou, é porque é fã dos Suede, eu sou o baixista, atenção. Mas quem odeia os Suede odeia o Brett e o Bernard. E para eles foi difícil. Além disso, Londres pode ser muito pequena para quem está sempre nas capas dos jornais. Especialmente o Bernard, ele nunca quis saber de nada disso e de repente estava completamente no meio. É o tipo de coisa que te pode complicar as ideias por completo. E foi o caso dele. Mas para mim foi completamente diferente.

Diferente como? 
Imagina: tens uma banda, estás a começar e de repente tens a tua música em todo o lado. Claro que vais gostar disso tudo, certo?

Os Suede actuam hoje no Coliseu dos Recreios e amanhã no Coliseu do Porto
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