Stone Roses: partir pedra, canção a canção

IMG_5818Isto é pop’n’roll, showbiz, coisa de palco e de público dedicado à causa. Assim sendo, que se quebrem as normas: “Made of Stone” é um filme que é um concerto, com uma banda que é uma actuação permanente; podemos vê-lo hoje, em grande formato, mas fora da sala de cinema. Acontece tudo no Lux, às 23h00, fora de horas numa noite de escola. Fica-lhes bem, eles iam gostar de saber.

Os Stone Roses, a banda que fez um primeiro álbum perfeito, que subiu ao pódio da pop britânica e não só, que contaminou uns quantos a parti de Manchester, que alimentou problemas internos, que foi do rock e depois lançou um segundo álbum que deixava o aviso para o futuro próximo. A mesma banda que se reuniu em 2012 para uma série de concertos, incluindo uma actuação no festival Optimus Alive, o melhor pior concerto dos últimos tempos. Shane Meadows, que já tinha filmado a Inglaterra marginal de “This is England”, atirou-se ao grupo como fã sem cura. E fez um filme que não é uma biografia, é um relato de quem foi à boleia com quatro tipos difíceis para ver o que acontecia – e deu-se bem.

Meadows acompanha os Stone Roses desde o anúncio da reunião (2011) até aos concertos que apresentaram em Manchester, antes da digressão que haveria de passar por Portugal. E como adepto da banda, procura responder às perguntas que todos os outros querem fazer: porquê juntos outras vez, 16 anos depois? que tipo de relação é que estes quatro rufias têm? como foram os ensaios? tanto tempo depois está tudo resolvido? E outras dúvidas da mesma família. Claro que, pelo meio de tudo isto, há memórias, flashbacks que nos levam até ao início dos inícios, imagens de arquivo escolhidas a dedo e outras riquezas que ajudam o lado biográfico de “Made of Stone”. Ainda assim, essa não é a característica mais importante do documentário. Ou melhor, a narrativa surge tão fluida e encadeada que o que nos passa pela frente é uma história presente e actual, sem saudosismos – pelo menos nas imagens, já que a música encarrega-se facilmente de gerar frases como “ah, isto antes é que era”.

Vai-se a ver e a música dos Stone Roses não ultrapassou nenhum prazo de validade. Tal como a dinâmica entre a banda não o fez. Muito menos o mau feitio que sempre os acompanhou, esse jogo de cintura gerado nos pubs mais manhosos de Manchester, incluindo o sotaque de Ian Brown, que transforma o seu inglês em algo que ainda está por descrever.

Shane Meadows não se preocupa com nada disso. Aliás, todas estas idiossincrasias fazem parte do encanto que ainda hoje vê nos Stone Roses. Afirmava ele em Maio ao “Guardian”: “Se te prenderes a determinadas pessoas em dada altura da tua vida, elas nunca mais voltam a ser humanas, serão sempre deuses. Para mim, os Stone Roses são assim.”

Dizia Ian Brown, nos tempos de lançamento do primeiro álbum, que os Stone Roses iriam ser a maior banda do mundo. Pelo menos em “Made of Stone” são. Além disso, a música que se escuta no documentário é toda desse disco de estreia. Tudo coisas boas.

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