Pond: vagabundos psicadélicos

2Cinco tipos a fugir do mundo, escondidos no meio de histórias ácidas, de rock’n’roll que não é deste tempo (o tanas é que não é) – psicadélico é tudo o que o homem quiser, quando quiser, desde que não interrompam o beat. Os Pond, a partir da Austrália, dão-nos canções que são aventuras espaciais, gravidade zero, todas as cores num gira-discos que não pára. Perante tudo isto, arriscamos perguntar: o que é que se passa aqui, meus amigos, uma realidade paralela, um pequeno grande mundo alternativo? “Nada disso, isto é tudo mais simples que esse tipo de teorias. E além disso, os músicos não são assim tão cool como as pessoas pensam.” Senhoras e senhores, os Pond, gente que emprega toda a preocupação deste mundo (e de outros que só eles conhecem, a nós não nos enganam) em fazer música sem preocupação, que não tem tempo para começar, acabar ou esclarecer o ouvinte. Coisa boa.

Para tentar perceber melhor de onde tudo isto vem – e isto está próximo do novo século psicadélico que os Tame Impala popularizaram mas que se perde mais vezes por delírios instrumentais – deixamos a pergunta: “O que vos trouxe até aqui?” Resposta (im)previsível, que nos chega por email, sem assinatura, em modo colectivo: “Tudo.” Claro, só podia. “Michael Jackson, Beastie Boys, Jethro Tull, Beck… Tudo o que ouvíamos quando éramos putos.” É a lei clássica da música nascida na garagem a mandar, mais uma vez. A mesma que inclui “os clássicos”, os mais velhos, anciãos de conhecimento que dificilmente alguém vai ultrapassar: “Não queremos ser o tipo de pessoas que finge não ficar com tesão de cada vez que ouvimos Led Zeppelin, por exemplo. Isso é como negar o gozo que o desporto ou o sexo dão. Riffs cabrõezões são bons e transformam a música numa coisa de prazer animal.”

“Hobo Rocket” é o nome do álbum que os Pond editaram há um mês. Os australianos de Perth, que não sabem ser sempre os mesmos e vão contratando novos colaboradores sem mágoa com os que ficam pelo caminho. É a vida, é isso: “Somos como as outras bandas, começámos depois do liceu, já fomos um duo, um trio, isto depende dos dias.” Renovam-se e cruzam-se com o que vai acontecendo na vizinhança, terra fértil em boa criatividade pop. Daí até se poder falar em coisa tipicamente australiana, calma com isso, é um esforço sem sentido. Dizem- -nos os heróis psicadélicos que “estas bandas que o mundo vai conhecendo não são uma expressão australiana, é música pop, música urbana. Para ouvir gente que capta a essência australiana melhor ficar com o Peter Bibby, isso é que é”. E sobre os Tame Impala, com quem os Pond têm músicos em comum (já foram só uma banda, Kevin Parker incluído), nada de preocupações. É o que é e nem vale a pena insistir no tema.

Ouve-se “Hobo Rocket” e estão lá as certezas todas, as poucas que importam. Os Pond querem fazer música que “dê em canções mas em trips inesperadas, tudo ao mesmo tempo”. Para depois as levar ao palco, mais ou menos com o mesmo princípio. Como é que tudo isso resulta, como se transporta esta elegante confusão para o palco? Na altura recebemos esta resposta: “É uma boa pergunta. Ainda não o fizemos. Acho que vai correr bem.”

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