Mikal Cronin está cheio de dúvidas, mas isso é bom

mikalcronin_woods_deneepetracek_hiQuando falamos com Mikal ele está a um dia de gravar a sua participação no programa de Conan O’Brien. “É o meu programa favorito, dentro do género. Estou entusiasmado. Quero dizer, estou mais ou menos entusiasmado. O programa é óptimo, o Conan também, mas não sei se as pessoas ainda vêem televisão.” Dizemos-lhes que sim, ainda há quem o faça, talvez ele não se tenha apercebido. Mikal passa quase todo o seu tempo enfiado entre rimas e acordes mais arranjos e sessões de gravação e etecetera e tal. Isto quando não está a tocar ao vivo, naturalmente. Perguntamos-lhe se devemos pronunciar “máical” ou “micál”. Ele responde que “tanto faz, como mais gostares”. É um desinteressado das coisas em geral, menos das que têm a ver com as suas canções. Isso é bom e bonito e nota–se bem ao ouvir “MCII”, o segundo álbum que edita em nome próprio e que vem apresentar em Portugal – hoje à noite no MusicBox, em Lisboa, amanhã no festival Milhões de Festa, em Barcelos.

Estamos ao telefone com o músico de São Francisco que também é companheiro de estrada do rocker Ty Segall. Chegou há pouco tempo de mais uma série de concertos e ainda não percebeu muito bem “porque é que estava tanta gente para ouvir isto”. Diz que “não eram multidões, atenção”, mas ficou surpreendido. Mikal Cronin é um hipster com um pé na angústia dos anos 90 e outro nos discos de 60/70 que a família guardava lá em casa. E em qualquer das situações o que mais lhe interessa são as melodias: “São elas que vão ficar na memória, é isso que qualquer pessoa quer ouvir e cantarolar. Depois, o que pões em volta da melodia já é outro assunto. Eu gosto de distorção, de preencher quase todos os espaços. Seja punk, seja country, o segredo é sempre o mesmo.” Ah valente, Mikal vai a todas as músicas porque não quer mais nada. Tempo para fazer algo mais do que ouvir discos e transformá-los em inspiração, há? “Nem por isso. Mas preciso de manter as relações sociais básicas.” Claro. Porque Mikal tem “uma namorada incrível”, conta, e “amigos, bons amigos, nem por isso muitos”.

Contas feitas, tudo corre bem ao artista. Vai a caminho de ser famoso (sem alaridos, nada disso), gosta do que faz, tem quem o ouça, vai bem de romances e tem companhia que chegue para copos e cigarros. Aos 27 anos, isto costuma bastar. Mas “MCII” mostra um cantautor inseguro e desassossegado, que não sabe para onde vai nem o que quer. “Conheces algum gajo que aos 27 anos tenha todas as certezas no lugar?” Não conseguimos uma resposta melhor que um “hmmm” descomprometido. “Pois, eu também não. E gajos que sempre gostaram de passar muito tempo fechados no quarto têm ainda mais tendência para passar por isto. De qualquer maneira, também não me parece que escrever canções sobre o tema ‘está tudo bem e isto é tudo uma maravilha’ seja muito interessante.” Não será, tudo verdades.

Verdade também é que Mikal Cronin não está muito à vontade para cantar tudo isto em frente a gente de carne e osso. “Sou mais de estúdio, de compor, de gravar, de fazer arranjos”, diz-nos, ao mesmo tempo que assume que “isto já foi mais difícil”. Nada temas, Mikal. Em chegando a Portugal, terás a noite de Lisboa e a piscina do Milhões para te receber, ambos os cenários carregados de todas as categorias de gente possíveis, e todos te vão compreender. “Uma piscina?” O mundo do músico parou nesta palavra. “Mas há uma piscina no festival?” Há isso e muito mais, Mikal. “Cool”. É, bem cool.

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