Mudhoney: Gente boa, colheita de 88

mudhoney20131A página oficial dos Mudhoney é um dos sites mais feios da internet, mas eles não querem saber. Podiam ter mais brio nas coisas da imagem, eles que agora até têm um documentário sobre o percurso que fizeram (“I’m now: The Story of Mudhoney”): sobre o filme e a respectiva produção eles não quiseram saber. Fazem 25 anos, e isso para quem começou no final dos anos 80 alternativos nos EUA e apareceu mais tarde no embrulho com o nome “grunge” merece respeito: nada, eles não querem saber. O que lhes interessa? Dan Peters, o baterista, responde: “Palco.” Fazemos silêncio, esperamos pelo resto da frase, mas não acontece nada.

Assim sendo, Dan, para quê um disco novo? “Bom, há pessoas que gostam de discos, de os ouvir, uma e outra vez. E essas pessoas precisam deste objecto para saber que uma banda de tipos pouco jovens ainda está em actividade.” Rufias para sempre, estes Mudhoney. Seguem o sistema porque assim tem de ser mas não lhe ligam nenhuma. Ou quase nenhuma, que Dan Peters acaba por confessar que há dias para prestar atenção a tudo, até às opiniões que se escrevem sobre o trabalho destes quatro. “O disco tem tido boas críticas, acho que isso é bom sinal, mas não sei bem o que uma boa crítica pode representar”, diz o músico. Tentamos explicar que tem a ver com crédito de rua, com o “ser ou não da cena”. Mas Dan não parece preocupado com isso. Explica-nos porquê: “Sabes, sempre tivemos boas críticas mas depois acabamos por não vender muitos discos. Mas tudo bem, divirto-me a ler o que escrevem sobre nós. Os textos de que gosto mais são os que dizem mal. Porque quem os escreve lembra-se de pormenores que nunca nos passaram pela ideia. Talvez seja inveja, algo assim.”

vaniCom “Vanishing Point” ei-los, portanto, à procura de palcos e a agendar digressões: “Agora vamos para 21 concertos em 21 dias”, diz o valente Peters, orgulhoso em todas as palavras. E quem é que vai lá estar para vos ver? “Os de sempre. Há os gajos que agora andam pelos 50, como nós, e há os miúdos, os putos novos, alguns mesmo muito novos.” Porque os Mudhoney são uma referência, porque destilam rock’n’roll em vez de suor, porque fazem canções de três minutos e meio para ouvir como se o mundo fechasse portas no fim da faixa. Ou então por outras razões: “Talvez gostem mesmo de nós, não digo que não. Mas muitos aparecem só porque querem ver ‘aqueles tipos que conheceram o Kurt Cobain’. Tudo bem, por mim não há problema.”

Dan Peters sabe que os Mudhoney fizeram a sua parte para tornar Seattle na cidade mais famosa do rock abrasivo de outros tempos. Foram eles que editaram o single “Touch Me I’m Sick” e o EP “Superfuzz Bigmuff”, ambos em 1988. Serviram de combustível criativo a muito boa gente, a história assim o explica. Mas 25 anos depois, nem com um filme de memórias e uma data redonda a pedir festejos bravos esta gente anseia outra vez por tempos frenéticos. “Não há nada que não tenhamos agora. Saudades nem vê- -las, somos exactamente os mesmos mas mais velhos. Estamos menos vezes juntos porque o Steve [Turner, guitarrista] agora vive em Portland, mas de resto continuamos apenas a querer enlouquecer as pessoas. Conseguimos fazê-lo quando o grunge era a maior coisa do mundo, mas agora também é possível.

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