They Might Be Giants. A contínua vingança dos totós

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Antes de termos gente como os Decemberists a cantar histórias de outros tempos embrulhadas em folk de óculos de massa, como que a levar as manias do século XXI da glorificação dos totós ao extremo, existiam os They Might Be Giants, que já eram totós antes de ser fixe. Maneira redutora de ver a coisa, mas é tão válida como outra qualquer.
Carreira com perto de trinta anos, dividida entre discos para adultos, discos para crianças, jingles publicitários, temas para programas de televisão e uns quantos Grammys pelo meio. Nada é proibido como plataforma de expressão para John Flansburgh. Que no final de uma conversa telefónica com o i nos pergunta pela situação do país. “É má”, respondemos. “Os They Might Be Giants e Portugal têm uma coisa em comum, então: um sentido de desespero tranquilo.”

Não se nota isto, no entanto, por alturas da edição de “Nanobots”, 16º disco de estúdio, este para adultos com pressa, que não tenham mais do que dois minutos para dedicar a canções rápidas, que raramente passam a marca dos dois minutos. É o conjunto nova-iorquino em modo musculado, sem tretas. “São 25 canções num disco de 45 minutos. Há muitas canções que são muito curtas, mas o que é bom nisso é que altera um pouco a expectativa daquilo que o disco vai ser. Vivemos um bocado no nosso próprio universo, para o melhor e para o pior. Não estamos a tentar acompanhar os tempos, nem a tentar seguir as modas que andam aí.”

Diferença estrutural entre estes cientistas de indie-rock em punho e o resto é que não é o êxito orelhudo que gravam em disco a ser escolhido para este mundo da publicidade, são os próprios que se dedicam a compor já com isso em mente. “Do ponto de vista financeiro seria perfeitamente concebível que os They Might Be Giants fossem uma banda de jingles. Mas do ponto de vista artístico, acho que mais valia ir a uma loja de armas e tratar do assunto. É uma coisa que fazemos para não estarmos pobres. É difícil não ser pobre enquanto músico em 2013.” Uma decisão que nestas lides tende a levar à palavra “vendidos” a ser berrada aos quatro ventos. “As pessoas têm atitudes muito diferentes quanto a isso, mas para nós a ideia de escrever uma canção ou um jingle que seja uma coisa nova é sempre uma experiência interessante. É só mais uma forma de expressão, que sim, é um pouco alienante por estar ligada a publicidade, mas acaba por ser um desafio de composição de temas. Acho que somos tão velhos que não há grande lado por onde possam pegar para nos criticar por isso.”

Quando eles foram mesmo gigantes Pelo início da década de noventa terá sido o expoente máximo da carreira da banda, em que lançaram pedaços de pop inegáveis como “Flood” e “Apollo 18”, entrando nos tops do Reino Unido e criando bases para tudo o que se seguiu. “Já tínhamos algum reconhecimento nos Estados Unidos, mas conseguir entrar nesse mercado britânico foi muito importante para nós.” Coisas que surgiram que tornaram o desespero mencionado acima uma coisa mais fácil de lidar. “No início do século ganhámos uns quantos Grammys. E pronto, isso não importa a ninguém sem ser a pais e a promotores de concertos, mas abriu-nos portas. Podemos tocar em sítios que nunca poderíamos ir antes. Salas para gente crescida.”

Um desses Grammys surgiu por ocasião do tema “Boss of Me”, que dava som ao genérico da série “A Vida é Injusta”, das aventuras do jovem Malcolm. Outro dos temas conhecidos para lides televisivas é a introdução do “Daily Show” com John Stewart. Caminhos rápidos para a imortalidade que Flansburg acha só hilariantes. “Isso é fascinante. Fizemos o tema para o “Malcolm in The Middle” e para o “Daily Show” e quase ninguém sabe que somos nós. É uma espécie de património engraçadinho que vamos deixar para quem estiver interessado. Não estamos a pensar acabar assim tão cedo, mas quando isso acontecer, isso vai fazer parte dos motivos pelos quais nos lembram. Sem dúvida.”

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