Jason Molina, o misterioso

molinaOuvíamos as canções e sabíamos que um dia haveria de cair uma notícia destas, não havia volta a dar. Um homem de coração partido quando já não havia mais espaço para desilusões – Fossem verdadeiras ou alimentadas por um espírito que vivia desta dependência: “mais miséria, por favor”. Uma espécie de Gram Parsons dos tempos modernos, com menos pinta de cowboy mas com a mesma vontade de comer quilómetros de poeira, atrás de canções e de todos os excessos que as alimentassem. Jason Molina morreu no sábado. “Consumo de álcool e suas consequências”, dizem as notícias vindas de terras americanas.

Cantautor solitário, deveria aparecer algo assim no BI de Molina. Uma espécie de Neil Young a trocar a utopia californiana pelas cidades pequenas presas entre o midwest e a costa atlântica, com o lago Eerie como fronteira espiritual para os sonhos do homem. Ainda assim, começou por notas mais pesadas, por bandas heavy metal e com os Black Sabbath na cabeça. Conheceu outros recursos, agarrou-se à guitarra, afinou-a segundo a sua vontade (criando o seu próprio método, até).

Começou a relatar anseios no meio de acordes (pelo menos com maior visibilidade) em 1996, quando fez estrear o nome Ohia no single “Nor Cease Thou Never Now”. Assim continuou, sempre com as suas ideias na chefia do projecto que ia conhecendo, quase como obrigação, sucessivas novas companhias, para gravar discos e actuar ao vivo. Songs: Ohia, o primeiro longa duração, chegou em 1997, e actividade manteve-se constante, crónica até.

Um trovador de misérias com espírito de herói indie rock, Molina acabou por mudar a assinatura dos seus discos em 2003, transformando a autoria da sua obra em Magnolia Electric Co (depois de ter editado um álbum com o mesmo título). Com uma sólida base de seguidores, mesmo que sempre fora do mainstream, e chegando até a editar discos em nome próprio, o último deles no ano passado, “Autumn Bird Song”. Também em 2012, o músico dizia aos fãs que os tratamentos que seguia, para ultrapassar as dependências que o acompanhavam, corriam bem, pedindo “boas vibrações, fazem mais falta do que pensam”. Jason Molina tinha 39 anos.

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