Jason Moran, chefe de um bando destemido

3_JM_BW_Clay_Patrick_McBrideJason Moran vive na companhia de prémios e distinções. Amaldiçoado pelo virtuosismo, insistem os críticos e especialistas afins em associá-lo à linhagem de pianistas que fazem do jazz uma epifania, com Thelonious Monk aqui como referência maior. Tudo bem, o homem lida com isto sem complicar. Na verdade, não sabe como mudar as regras do jogo e, até ver, está mais que habituado às exigências. Diríamos mesmo que fazem parte do show de Moran: “É difícil ser artista, isto no geral. Quando recebo prémios, fico sempre espantado mas também sei que tenho ainda mais para dar”, diz-nos, fazendo conversa de humilde vitorioso que sabe que é. Vive da criatividade mas também gosta de se entregar, com moderação, aos delírios do showbiz: “Este é o tipo de artista que sou, entre o que já fiz e o que aí vem, e a comunidade em que me insiro vive deste exercício. Além disso, Nova Iorque não deixa que as coisas funcionem de outra maneira.” Prometemos que hoje na Culturgest, em Lisboa, tudo isto vai estar em palco.

A visita é do trio Bandwagon, com Moran ao piano, como líder, mais Tarus Mateen no baixo e Nasheet Waits na bateria. E haverá espaço previsível para os temas de “Ten”, apropriado título para o álbum que em 2010 celebrou – claro ­– dez anos de actividade. Mas também seremos privilegiadas testemunhas de outras andanças: “Vamos apresentar algumas remisturas da música de Fats Waller. Na verdade, vai sair um álbum com essas reinterpretações no final do ano”. Tudo porque, para este trio de conquistas e glórias, o cliché do “arrojo” e do “no fear” ainda é válido, longe de ser apenas um lugar comum. Jason Moran explica-nos que está tudo no modelos que se seguem, no caso do Bandwagon, “Cecil Taylor ou Duke Ellington, por exemplo”. Ficam os porquês: “Estes músicos quebraram com todas as expectativas, com os estereótipos, com os modelos do jazz. É essa a tradição que procuro seguir.”

Vai daí, Moran lidera o trio Bandwagon transformando-o numa equipa de alto rendimento – e respectiva competição. Contas feitas, há 13 anos disto para dar base segura a riscos de última hora e desvios improvisados. “Tentamos trabalhar em ambientes distintos“, diz-nos Jason, orgulhoso do feito. “Podemos fazer a banda sonora de um documentário sobre o apartheid, trabalhar com uma companhia de bailado ou partilhar o palco com uma lenda do jazz. Isso permite-nos discutir sobre diversos pontos de vista. E discutir é connosco.” Ainda assim, apesar de todo o sucesso, não há preferências e se hoje Jason vai bem de trio, amanhã é outra história: “Isto tem resultado bem, só isso. Nunca serei fundamentalista ao ponto de dizer que o trio é a melhor formação de sempre, nada disso”, explica.

O artista que hoje tem o nome em discos, palcos, cartazes e outras montras que tais começou pelo violino. Uma escolha que não foi sua, na verdade fazia parte da política da escola que frequentava em miúdo – “todos os alunos tinham de tocar um instrumento de cordas, nada a fazer quanto a isso”, conta. E mesmo quando chegou ao piano, quando o fez foi porque a mãe quis, nada menos democrático: “Eu e os meus irmãos tínhamos de estar ocupados durante o Verão, por isso fomos para uma colónia de férias de música. Tinha seis anos quando comecei.” Agora é o que se vê, de tal maneira que Moran arrisca mesmo deixar pedidos sobre músicos com quem gostaria de colaborar e ainda não conseguiu. Atira-se à bateria: “Roy Haynes, o Roy é incrível”. Um dia, Jason, é provável que isso um dia aconteça.

O músico actua hoje com o seu trio Bandwagon no grande auditório da Culturgest, em Lisboa. Às 21h30, bilhetes a 15 euros
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