Alasdair Roberts, os amigos e todos os que quiserem aparecer

alasdair-robertsO mandamento que deu prumo a este disco é algo como “todos os dias acabam em alegria”. À mesa ou em danças de roda, tanto faz. Alasdair Roberts é o anfitrião, tímido quando baste – até esta conversa preferiu fazê-la por email, nada de telefones. Mas agora, depois de andar metido nos discos há mais de 15 anos (antes de assinar com o seu nome fê-lo como Appendix Out), carimbou o novo conjunto de canções com um catita “Alasdair Roberts & Friends”. Uma farra imparável, mesmo que não pareça. Entre a Escócia e a Irlanda, quotidianos cantados de improviso, tudo bem acústico e cuidado. O título desta preciosidade: “A Wonder Working Stone”.

São canções de desamores, futuros nem por isso brilhantes e algumas desilusões. Mas sempre com um final feliz inevitável, sem espinhas, mesmo que todos os temas tenham mais de cinco minutos. “Sou um tipo que gosta de histórias, tenho a mania das narrativas antigas, das baladas de outros tempos”, diz-nos. “Uma canção tem que ter algo para dizer, ainda que neste disco tenha arriscado mais na complexidade instrumental”. Apenas uma outra forma de dizer que, aqui e ali, há também trocas de acordes a pedir um pé de dança. E o homem passeia os ouvidos por tudo o que há por aí: “Música gaélica, escocesa, irlandesa, claro, mas também clássica, o que passa BBC3 ou até as dicas que vou apanhando na revista ‘Wire’.”

As duas caras de “A Wonder Working Stone” – a da partilha social e a que pede por recato confessional – passeiam-se todas por Glasgow, a cidade escocesa onde o músico tem morada. “Há muitas ‘sessões’ e coisas desse género a acontecer em Glasgow”, explica. “Às vezes perco a vergonha e apareço, muitas delas só para ouvir. Há umas noites de música todas as sextas num pub perto da minha casa mas são quase sempre instrumentais.”

Alasdair-Roberts-Wonder-Working-Stone-500x500Como o próprio já nos disse, o que lhe interessa são os contos reais. E por isso vai dividindo atenções entre os seus registos pessoais, em modo “diário de bordo”, e aquilo que outros já cantaram antes dele, ainda que não junte as duas dimensões, nada disso (mesmo que respeite o inglês saído de paisagens de terras altas que temos como “tradicional”). “A Wonder Working Stone” surgiu da sua escrita, ainda que a custo: “Na minha idade, já não sou tão rápido a escrever, a caneta já não me obedece com a mesma ligeireza.”

Juntar amigos para dar conta de um novo álbum é por isso compreensível. Mais ainda quando Roberts nos diz “nunca quis ser apenas o tipo sozinho, com a guitarra e histórias para contar”. Para Alasdair, música sempre foi “colaboração, tocar com outras pessoas”. “A minha vida artística tem sido sempre feita de forma solitária, desde que comecei a gravar disparates no meu quarto, quando era miúdo”, conta. O escocês escreve “COLABORAR”, assim mesmo, com letra maiúscula, e depois remata: “Sou uma pessoa muito social.”

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