2012

Feliz ano velho este de R&B sem regras e rock’n’roll juvenil com garimpa de gente decidida. No tal, 12 meses a misturar com classe, a dar prioridade às canções, que depois nos levaram a paisagens de maior fôlego – chamam-se álbuns e continuam a ser maravilhas a admirar. A tendência continua, portanto, mas cada vez mais óbvia. A felicidade acontece após nos deixarmos enganar durante três minutos e meio e descobrimos que não há desilusão no sítio onde são domadas estas coisas selvagens. 2012 fez-se de invenções e renovações, de assaltos a bases de dados, analógicas ou digitais – para esclarecimentos sobre o que não deve ser repetido ou para procurar inspiração. Pop é capicua, não há volta a dar.

Em 2012 houve ainda tragédia na morte de Bernardo Sassetti e noites de glória como a de Bruce Springsteen no Parque da Bela Vista. Para 2013? Os regressos dos Queens of the Stone Age, My Bloody Valentine, The Knife, Nick Cave, as estreias de corpo inteiro para gente como os Atoms For Peace ou Foxygen, a confirmação de Gisela João em disco ou o concerto dos Blur no Primavera Sound. Tudo marcado, próximo ano. Sobre este que se vai, as últimas são dez, número para outros tantos discos que resumem o ano – pelo menos hoje, mais uma semana e vinham outras contas:

1 – THEESatisfaction, “awE naturalE”

Jazz e os blues e R&B e a soul e o funk e o disco vindos de Seattle com bagagem única. Tanto de coolness inatingível pelos comuns mortais como de manias de rua que nunca vamos ter coragem de visitar. Tudo isso o torna brilhante.

2 – Japandroids, “Celebration Rock”

É a banda sonora do último dia de aulas, da passagem de ano, da sexta à noite de celebração, do festival de Verão bem regado. Correr contra o tempo em cima de uma bateria e de uma guitarra.

3 – Norberto Lobo, “Mel Azul”

Norberto, o herói que canta e dança sem sair do lugar, como todos os aspirantes a gente com destino grande mas timidez maior. Vai de transformar tudo em habilidade à guitarra que dá para chorar e fazer a festa, é escolher, freguesia.

4 – John Talabot, “fIN”

Esta é uma misturada de electrónica a querer ser minimal obscura, que encontra a indie-pop e dá em ambiente para a manhã seguinte. Tão dançante como contemplativo. Quase sempre abaixo dos 4 minutos, para não se perder nenhuma das experiências fora-de-órbita do ano.

5 – Black Bombaim, “Titans”

Poucas vezes os nomes dos álbuns vestem as medidas da música que lhes diz respeito como aqui. Tudo em “Titans” é grande, da distorção à mania da bateria e do baixo em mandar no ritmo sem pieguices. Um mergulho de cabeça em quatro temas de longo curso que levantam paralelo.

6 – Moullinex, “Flora”

Melhor festa embrulhada num disco dos últimos tempos. Isto serve de elogio ao hedonismo. Disco funk rodeado por alguma coisa electrificada por identificar que não permite fugas nem desistências.

7 – Father John Misty, “Fear Fun”

Banda sonora para o solitário do asfalto, à deriva pela costa oeste dos EUA enquanto sem destino certo. Os copos e as camas e os raros amigos cabem em canções de um pregador sem moral nenhuma para dar lições. O melodrama fica-lhe bem e safa-se com brio na companhia da tradição que construiu outros meliantes como este.

8 – Cody Chesnutt, “Landing on a Hundred”

O cantador de bairro para o resto do mundo, que acredita que a rua dá histórias a quem as colhe às memórias certas. James Brown cruzado com Marvin Gaye dá no maior militante urbano do ano.

9 – Cloud Nothings, “Attack on Memory”

Resignados insatisfeitos a fazer a ponte entre os Mudhoney e os Queens of the Stone Age mais Steve Albini e o punk-pop, sem nunca ter vergonha dos rótulos.

10 – B Fachada, “Criôlo”

O compositor compulsivo e as 1001 hipóteses que os seus escritos lhe apresentam. Fachada virou trovador electrónico mas não muito: a tradição que o formou está nos circuitos todos deste baile urbano difícil de igualar, para melancólicos de cores berrantes.

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