METZ: tudo pode acontecer em trinta minutos

Estes três canadianos conseguiram cumprir o sonho de tudo o que é rufia civilizado, de quem se fez gente ao som de rock bastardo: fazer uma banda, escrever canções que contribuem para a degeneração auditiva e conseguir reconhecimento com isso. Na verdade, permanecem semipopulares, ainda longe de um estatuto que lhes permita deixar os empregos de adultos sérios para se dedicarem a tempo inteiro a esta barafunda distorcida que agora apresentam em disco. Mas – macacos mordam tudo o que é céptico – essa epifania está para breve, só pode.

Por enquanto é esperar para ver. Alex Edkins é o guitarrista e vocalista dos METZ. Mais, Edkins é o chefe do bando. Antes de lhe atirarmos uma mão-cheia de perguntas pelo telefone, recebemos o aviso: “Qualquer deles pode atender mas pede para falar com o Alex.” Feito. Apanhamo-lo a liderar a caravana à saída de Denver, Colorado: “Muito rock’n’roll isto de correr o país numa carrinha, não achas?”, pergunta-nos maravilhado, que comer quilómetros de palco em palco ainda é novidade para os METZ. “Devíamos estar mais habituados, é o que nos dizem. Talvez porque contemos já cinco anos disto e só agora é que temos um álbum editado.” É provável. Já agora, para que serviram esses cinco anos? “Pouco mais do que tocar, fazer jams intermináveis, à noite ou ao fim-de-semana, sempre que não estávamos a trabalhar. Sabes, cinco anos não é assim tanto tempo. Dá é para ouvir muitos discos.”

E foi também partindo deste atarefado trabalho de recolecção que os METZ projectaram as próprias canções. “O que é que ouvimos? Punk rock. Tudo o que seja simples e directo, dos Hüsker Dü aos Nirvana, mais os Shellac… Não eram estes os nomes que estavas à espera?” Era pois. Electricidade descontrolada apenas na aparência, canções abrasivas mas com os princípios da pop bem decorados. É isto que os METZ fazem, traçar–lhes as origens levar-nos-ia sempre a este caminho de fraca disciplina.

A mesma que passou dos tais concertos meio amadores para um disco com o carimbo da Sub Pop, a editora responsável por algumas das obras que fizeram destes três provocadores em forma de power-trio. Contudo, este resultado final surge distante do início do percurso da banda: “Éramos diferentes, tínhamos outro baixista, fazíamos vida em Ottawa mas mudámo-nos para Toronto… Bom, isso foi mais por causa de uma miúda, é sempre a melhor razão.” Mas os METZ já eram um trio – “porque é mais fácil para marcar ensaios” – e já queriam motivar revoluções com canções abaixo dos três minutos.

A mesma atitude que, diz quem já viu, passa pelos concertos do grupo. É boa a má fama que os precede, como acontece com os grandes vilões das melhores aventuras. Para nós que estamos por cá, longe de todo esse bulício – mas teremos oportunidade de o testemunhar em Fevereiro próximo, em Lisboa e no Porto – de onde vem toda essa reputação de gangsters dos palcos? “Os nossos concertos são experiências físicas, além de sonoras. Empenhamo-nos muito ao vivo porque estas canções precisam de energia, intensidade, volume. Caso contrário, não saem do palco. E as pessoas voltam para casa encharcadas em suor. Tem de ser assim, só pode.”

De qualquer forma, não há nada a temer. O disco tem meia hora, um concerto deve andar lá perto: o que é que pode acontecer em 30 minutos?

Os METZ actuam ao vivo a 12 de Fevereiro no Porto (Plano B) e no dia seguinte em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois
publicado no i
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