Geoff Barrow apresenta: o novo mundo dos Beak

Quando estão em digressão, o autocarro leva apenas seis pessoas, três músicos e outros tantos técnicos. Não são precisos mais para apresentar dois álbuns nascidos do improviso, sem overdubs e com delírios de estúdio validados por gente sem prazer em impor limites. Os Beak (hoje, Teatro Maria Matos, Lisboa, 22h, 15 euros) são krautrock e delírios rítmicos para o século XXI. Nasceram de uma jam session durante uma festa de Natal da Invada Records, de Geoff Barrow, e agora apresentam “Beak»”, assim mesmo, com símbolos. O líder deste bando (e do outro mais conhecido de Bristol) explica-se, depois de questões telefónicas terem atrasado a conversa:

Primeiro, um aviso: o gravador do telefone faz um ruído aborrecido.
Não faz mal, eu até gosto de ruídos. Não é tão aborrecido como fazer a entrevista depois da hora combinada.

Entrevistado trama jornalista, portanto.
Palhaçada, estamos bem. Estás à vontade, queria só assustar-te. Ao estilo “o tipo dos Portishead afinal é antipático”.

Mesmo com os Beak, há sempre Portishead no caminho.
Sim, é inevitável. As pessoas terão começado a ouvir Beak, quem o fez, porque viram o meu nome e a expressão “projecto paralelo do tipo dos Portishead”. Mas essa é uma ideia errada, porque paralelo significa que há menos empenho. E isso é uma treta, porque a energia é sempre a mesma, no estúdio e em palco. Às vezes é incrível, outras corre muito mal. Sei que vai haver um novo álbum dos Portishead, vou voltar a escrever, e a Beth [Gibbons] vai voltar de férias. Mas só acontecerá de facto quando tivermos algo para dizer. Sempre foi assim.

Portanto, Beak é a prioridade actual.
Sim, mas estou sempre à procura, há poucas coisas melhores que novos desafios. Como este, na verdade. Voltar a dormir em hotéis baratos e a ter tempo para conversar entre concertos. E não é um “projecto”. É uma banda. Um projecto é construir um parque de estacionamento, isso tem um fim.

Mas tem a espontaneidade como base.
Sim. Fazemos tudo no estúdio, duas a três faixas por dia. Não fazemos overdubs, quase. Não esperamos ser os Nirvana, ainda que sejamos três. Mas ao mesmo tempo gostamos disto e levamos tudo a sério. Não é só porque é divertido.

E ao vivo será mais desafiante do que com os Portishead, não? Ou seja, não vai ter o público todo na mão mesmo antes do início do concerto.
Sim, é completamente diferente. Na verdade, temos mesmo de perceber primeiro se as pessoas gostam do que está a acontecer. Não acho que nos atirem coisas, que nos apupem, mas não é a música mais fácil para estabelecer empatia com rapidez.

O sucesso dos Portishead nunca o assombrou, ao formar este grupo novo?
No início, sim. E hoje ainda tenho alguns problemas com o anúncio do concerto dos Beak associado aos Portishead. Mas, ao mesmo tempo, percebo que assim aconteça. Até porque, se não houvesse esse interesse, talvez muita gente nunca tivesse chegado aos Beak.

Também o Geoff faria o mesmo, talvez, se um músico de que gostasse formasse um novo projecto.
Claro. Se o Duracell [pseudónimo do baterista e aventureiro electrónico francês Andrew Dymond] se juntasse a uma banda de loucos com sintetizadores, eu iria querer ver.

Os Beak são formados por um número um e dois número dois?
Talvez, sim, mas sem autoritarismos. O Matt [Williams, guitarra e teclados] não gosta muito de se envolver noutras coisas que não sejam tocar. Ele faz parte de um espaço diferente, não quer saber da conta bancária, não sabe como as coisas funcionam. O Bill [Fuller, baixo] é mais prático, está em cima do acontecimento. E eu [bateria e teclas] tenho a mão na secretária. Tenho o lugar de produtor menos produtor de sempre. Mas basta haver alguém que não goste de alguma coisa para isso não acontecer. E todos cantamos. Quer dizer, vamos murmurando umas coisas.

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