Nguzunguzu: dançar até dizer o nome do duo de uma vez

Diz quem percebe de meteorologia e afins que a temperatura é coisa para aumentar a partir de hoje. Ainda que tenham acertado em cheio, sabem lá eles do que falam. Aumentar à séria só quando conseguimos dizer Nguzunguzu sem pensar nas sílabas em questão – no meio da pista, a perceber que há um duo de electrotudo a debitar razões ilimitadas para um mexe-mexe-que-é-bom contínuo.

Asma Maroof e Daniel Pineda, brincalhões mas DJs encartados, rodam tudo na mesma frequência. A função desta gente é “ouvir música sem nunca haver cansaço”, dizem-nos os próprios. Perguntamos-lhes o que faz a diferença na hora de escolher a matéria de trabalho, entre o bom, o mau e o resto. Resposta sem sumo mas com tudo no sítio: “O som. É som, não há mais razões para dizer sim ou não.”

Ouve-se o que os Nguzunguzu fazem em disco e ora bem, claro que é só o som. R&B, tão MTV como da velha escola; reggaeton e outros derivados, sem nunca cair no excesso da família caribe-mix; mais as electrónicas de gente que estudou a matéria com afinco, sintetizadores e caixas de ritmos tudo afinado ao detalhe. Pelo meio, discos e mais discos, a doença de coleccionar mas nunca “só porque sim”.

“Passam por nós toneladas de coisas, isto não funciona de outra maneira. E é por isso que vamos descobrindo algumas maravilhas. Marfox? DJ Tiba? Incríveis”. Claro que são, sobretudo para os Nguzunguzu. Dêem-lhes kuduro que eles mantêm tudo no sítio ao mesmo tempo que dão a volta à questão. E nós, do lado de cá, a dançar o que vier, a descobrir o ritmo certo para cada exigência.

O par já fez isto tudo numa mão cheia de EPs. No mais recente “Warm Pulse” mas também no obrigatório “The Perfect Lullaby” (2011), mixtape gigante, que vai a todo o lado e mais algum. Ainda assim, nada que se aproxime ao que acontece ao vivo. “Somos produtores e DJs mas sim, isto é ao vivo”, dizem-nos. Isto aqui não é uma banda, não, mas é uma partida de ping pong em directo. “É um DJ set com escolhas à vez, ninguém sabe bem o que é que cada um vai fazer, sem regras. Os nossos temas favoritos num mix gigante, é mais ou menos isso.” Nada mais a dizer. Melhor, há a expressão “hi energy”, que poderíamos ter usado aqui por iniciativa própria mas que foi utilizada pelos Nguzunguzu para falarem do seu trabalho e perderem pouco tempo.

Mas depois dizem-nos que o que querem mesmo está longe do “dança dança” para esgotar a noite entre suores e copos: “Adoramos que as pessoas dancem. Está tudo no sentimento, levar a multidão a novos sítios. Nesta música, há mais do que movimento, queremos até motivar lágrimas, emoções.” Até porque na confusão abençoada deste duo há também espaço para para remisturas, ora encomendadas por gente com nome na praça (M.I.A., por exemplo, que ajudou a comunicar o nome do duo), ora nascidas da iniciativa própria. Em qualquer doas casos, o critério parece ser apenas “inspiração”. Justo.

Nguzunguzu, hoje em Lisboa, amanhã no Porto. E no meio disto os senhores da meteorologia, com razão, devem continuar a apostar no calor e seus efeitos.

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