Jon Lord: o mestre de grupo e orquestra

Em 1968, Jon Lord atirava a reinvenção de “Hush” (clássico de Joe South) para o meio da colecção dos blues psicadélicos do final da década. No primeiro sucesso dos Deep Purple, a banda que tinha ajudado a criar nesse mesmo ano, estavam já quase todas as suas manias esclarecidas em menos de quatro minutos e meio: a formação clássica a querer ser mal comportada e a fazer amizades safadas com o rock’n’roll. Haveria de contaminar outras bandas e projectos mas sempre com a disciplina que cultivou cedo e que o acompanhou até ao século XXI – preparava agora um concerto de aniversário para o álbum “Concerto for Group and Orchestra”. O músico morreu ontem, aos 71 anos, vítima de cancro no pâncreas.

Começou como aluno brilhante de piano, com Bach como herói maior, mas com a descoberta do rock e do órgão Hammond os objectivos cruzaram-se: a Lord parecia-lhe óbvio de mais que os universos aparentemente distintos teriam tudo em comum. Os blues e o jazz surgiram nos entretantos, sem qualquer tipo de problema para arranjar lugar no meio deste aparente caos criativo.

Da sua Leicester natal, Jon Lord (n. 1941) mudou-se para Londres em 1960. Entre estudos e boémia, tocou com o combo de Bill Ashton e com os Artwoods (de Art Wood, irmão do mais popular Ronnie com o mesmo apelido). Em 1967, depois de um início motivado pelos investimentos de contas mal feitas de Chris Curtis (dos The Searchers), Jon criou os Deep Purple, logo de início com o guitarrista Ritchie Blackmore, pouco depois com Ian Paice na bateria.

Entre 1968 e 1973, os Deep Purple foram desafiantes, na forma como se mantiveram na fronteira entre o blues-rock, as origens do heavy metal e as marcas genéticas do rock progressivo. Aqui teve papel principal o virtuosismo instrumental da banda, alimentado também por um Jon Lord movido, em boa parte, a exibicionismo, no palco e fora dele. A influência do músico nos Deep Purple foi fundamental tanto na definição do som do grupo (casos óbvios são “The Mule”, “Strange Kind of Woman” ou o inevitável “Smoke on the Water”) como na instabilidade que o acompanhou desde sempre e que motivou sucessivas alterações no alinhamento da banda – o próprio fundador esteve dentro e fora até ao adeus definitivo em 2002. 150 milhões de álbuns vendidos depois, Lord não repetiu as proezas conquistadas com os Deep Purple mas não precisava de mais para ficar na história.

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