1970-2012

Bernardo Sassetti era um nervo constante. Se não o era no momento, ali, quando existia de carne e osso à nossa frente, era-o na criatividade que fabricava invejosos, mesmo que esses fulanos que tais não lhe quisessem as artes e as habilidades; queríamos todos (ou deveríamos querer) era ser feitos da mesma inconformidade, do mesmo “estou bem onde não estou”, que outros tiveram antes dele mas poucos souberam transformar em desabafo – e que ele moldou de forma única ao piano. Daí que notícias trágicas não pudessem caber no seu universo. A vontade de ter mais vontade começara há uns quantos anos mas era o princípio, só podia ser. Claro que já tinha existido “Alice” e “Ascent” e “Motion” mas e então, isso é lá razão para que o que nunca imaginámos pudesse estar prestes a acontecer? Interrogação e das generosas, porque para responder não há quem, ponto. O próprio não era tipo de respostas certeiras, melhor ir respondendo que fechar a dúvida. Não saber é bom, o artista gostava e nós com ele, a questionar uma e outra vez. E era o ímpeto – claro que era, tiremos conclusões, nunca serão precipitadas – que o levava a ver as imagens que ninguém mais via, ainda que mesmo perante o olhar de todos; dava-lhes a dança, a mesmas das suas, estava tudo confundido e era das melhores confusões que alguém alguma vez ouviu. Como noutras alturas, tramou-nos, mas agora para não darmos mais a volta ao enredo. Melhor ouvir tudo outra vez.

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