THEESatisfaction: não há como fugir desta classe

Stasia Irons e Catherine Harris-White meteram-se nas coisas da música porque tiveram uma epifania. Como assim? Simples, diz Catherine: “Houve um momento decisivo, em que pensámos ‘é isto que temos de fazer das nossas vidas’. Quando ouvimos pela primeira vez o ‘Thriller’.” Na estreia em disco, “awE naturalE”, o R&B mais a soul e o funk tomam conta de tudo, a todas as horas do dia. Como Michael Jackson ensinou ao mundo. Mas aqui com os vícios do hip hop a desfazer as canções em pedaços – porque juntar tudo outra vez dá muito mais gozo. Hoje vão fazê-o ao vivo em Lisboa, na ZDB. Obrigatório é pouco.

THEESatisfaction é marca registada em Seattle, cidade com jeito de sobra para boa gente como esta. “A terra que gerou Jimi Hendrix, Quincy Jones, Ray Charles e Ishmael Butler não o pode ter feito por engano, pois não?”, pergunta-nos Catherine. Não, naturalmente, mas e hoje, o que é que se passa hoje? “Agora há tipos como o OC Notes ou o Chocolate Chuck, a mexer com todos estes estilos, sem medo de inovar sobre os clássicos.” O duo começou com tudo isto na ideia mas não como motivo principal. “Conhecemo-nos na universidade, em Seattle”, conta Stasia Irons. “A música estava sempre presente em todas as situações. Tornámo-nos amigas e mais tarde amantes. Agora fazemos música juntas, é uma forma de celebrar o nosso amor.”

Lamechas como o romance tem de ser, já dizia o outro, mas com tempo para as coisas do profissionalismo, onde quer que o dito se manifeste. O aviso para mais logo é de Catherine: “Podem surgir momentos irrepetíveis a qualquer altura”. Marketing e confiança na mesma frase, mas com todo o direito. Em “awE naturalE” ouvimos as THEESatisfaction já depois da relação com o projecto Sabazz Palaces e como gangsters iluminadas, por conta própria. Tudo boas raparigas, a mandar nas ruas com classe. Auto-estima e astúcia de metrópole a rimar com todas as ideias que lhe aparecem pela frente – artistas todo o terreno dá nisto. E com um gosto no operariado pop que as levou a fazer horas extra. Stasia faz um balanço rápido e fala-nos em “vários anos que foram necessários para ter este disco finalizado”. Porque houve esquisitice da boa a fazer triagem sobre tudo o que foi gravado e regravado. “Habituámo-nos ao melhor de dois mundos, o da nossa sensibilidade e o das possibilidades da tecnologia. A técnica que usámos foi tudo menos complexa: perdermo-nos constantemente pelo caminho para depois ouvir o resultado final.” Porque a verdade, de acordo com Catherine Harris-White, é que boa parte das maravilhas deste disco foram conseguidas sabe-se lá como: “Muito do resultado final foi intencional mas a maioria surgiu de manipulações sonoras com mais de instinto do que matemática.”

Ainda assim, o improviso de hoje à noite vai ser controlado. “Não estamos numa de convidar outras pessoas para recriar a nossa música em palco. Os beats existem, adaptamo-los ao palco e o concerto surge daí.” Stasia a dizer-nos que mais logo vai ser tudo como tem sido até agora para as THEESatisfaction – a tradição que aprenderam com os heróis de estimação mais os desvarios do século XXI. Ou como explica Catherine: “Enquanto crescíamos fazíamos parte de coros e procurávamos sempre maneira de ir parar ao palco. Hoje andamos atrás de música a toda a hora. Somos diggers mas virtuais, da era digital. Discos em casa? Muitos, mesmo muitos.”

(publicado no i)
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