Walter Benjamin, “The Imaginary Life of Rosemary and Me”: crónicas reais de um romance imaginado

As cartas de amor continuam a ser uma das melhores razões para fazer canções. Tem a ver com o “é mais fácil escrever do que dizê-lo à tua frente” mas também com a génese das duas coisas, do romance e dos versos cantados: ambas são frágeis e custosas, mais vale que surjam por uma boa razão. Walter Benjamin desdobra a desilusão confortável do coração desfeito em apenas oito canções. Mas entrega-se de tal maneira à tarefa que não falta nada para fazer desta uma confissão exemplar. Esta miséria redentora – que nasce à guitarra acústica mas ganha corpo adulto quando se espalha por arranjos com um bom gosto daqueles que gera invejosos – deveria ser lei. O enamorado falhado como se quer, que pede o que não tem e se arrepende do que não fez com o estilo dos felizes da vida. Ao herói folk da vida cosmopolita também lhe dói a memória. É a sua vantagem para assinar canções de um contar de histórias genuíno (imaginado ou não, isso lá interessa), que é só dele mas que serve a todos.

(publicado no i)
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