John Talabot: “Quero produzir alguém que tenha boas ideias e precise de ajuda”

Não é que John Talabot seja uma estrela, nada de exageros. Mas está em tudo o que é site, blogue e revista que dita a moda das coisas indie – e isso, à escala do universo em questão, é “fama”. O catalão, de nome verdadeiro Oriol Riverola, deixou de se dedicar apenas aos seus DJ sets (de certeza que já alguém o apanhou no Razzmatazz de Barcelona como d.a.r.y.l.) e descobriu nas brincadeiras caseiras que jeito para a composição é coisa que não lhe falta. Entre as regras do hip hop da velha escola e a house de Chicago, baixou o nível das rotações e lançou-se por conta própria com um brio notável. “fIN” é o seu brilhante primeiro longa duração mas nunca convenceu o seu autor que o nome John Talabot poderia motivar frases como “Tens de ouvir este tipo, é incrível”.

Porque é que não estava à espera de tanta atenção?
A verdade é que a música electrónica não mexe muito a não ser junto dos que gostam, fãs mais decididos. Suspeitei que podia dar alguma coisa depois de ter mostrado o disco a três pessoas, ainda antes de o editar. Foram só três mas disseram-me para ter confiança. Mas sabes como é, gente conhecida não consegue ser imparcial.

Mas estavam certos, esses três.
Sim, e já sei porquê. Porque resultou com aqueles que ouvem música em casa, gente que ouve música enquanto trabalha, designers e assim. Pode não cativar atenções à primeira, mas quando acontece acontece. Mas isso não é novidade, já vi muitos discos assim desde que comecei.

E isso foi há quanto tempo?
Foi em casa, quando era muito novo.  Parei durante uns anos e voltei depois. A sério, devo ter começado aos 17 ou aos 18 anos. Comecei a mexer em software, a aprender produção, a fazer coisas com audiovisual. A dada altura achei que a música seria só um hobby, nunca me daria dinheiro.

E sempre andou em volta da música electrónica, nunca achou que poderia ser um indie rocker?
Não, sempre na electrónica. Entre os discos de amigos e as discotecas, que comecei a frequentar muito novo, estabeleci uma relação forte com esta música. Comecei a procurar os nomes todos, do presente aos anos 60, 70. Percebi que havia muito mais do que club culture.

E este “fIN” vai por aí, não é um disco para dançar.
Não queria fazer nada disso. Queria fazer algo que pudesse e quisesse escutar em casa. Quando estou em casa ouço pop, folk, indie, nada de house, isso cansa-me. Tenho uma enorme colecção de 12” mas o que ouço quando não estou a trabalhar é tudo menos isso.

Antes dos discos era sobretudo DJ, com algumas remisturas pelo caminho. Continuam a ser áreas desafiantes?
Claro. Há muita gente a fazer as duas coisas e por isso ainda dá mais gozo. Ver o que os outros fazem tentar produzir algo diferente… Mas não sei se vou conseguir fazer tudo isto durante muito tempo. A verdade é que não sou de festas. Há DJs que se divertem muito, eu não. Gosto quando estou já envolvido no trabalho mas todo o processo que rodeia isso custa-me muito. Todas as viagens sozinho, as horas trocadas, os hotéis. Mas agora é tudo mais profissional. Pagam-me para isto por isso tenho de ser mais exigente. E vou sempre aprendendo alguma coisa que me pode dar jeito no futuro. Gostava de produzir bandas, álbuns.

Como por exemplo?
Não sei, alguém com boas ideias e que precise de ajuda. Não posso dizer nomes, tenho medo que caia mal. E sabe-se lá se vou ser bom nisso, se calhar até vou. sempre dá para sair de Barcelona.

Não é uma cidade motivadora?
Digamos que não é o melhor momento para o clubbing por aqui. Mas não sei se o é em algum lado. É uma cidade muito importante para festivais e as pessoas aqui dão muita importância a isso. Não é que os festivais vão contra as discotecas mas implicam bilhetes caros, a vida nocturna acaba sempre por sentir isso. E depois há o som. Ficámos nos anos 90. As pessoas perguntam “porque é que isto não soa como em Berlim?”. E depois compram bilhetes baratos para lá ir. E que ninguém se admire com isso.

(John Talabot actua no Optimus Primavera Sound, no Porto, a 9 de Junho; publicado no i)
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