Sharon Van Etten, ‘Tramp’: senhora dona melancolia sem tempo a perder

Van Etten, apelido rock’n’roll, sobrenome de gente pouco dada a meias conversas, não quer saber do método que muito bom pop-rock angustiado cantado no feminino segue. Há confissões sobre quem lhe deu companhia e que entretanto se pôs a andar; pairam pelas canções as dúvidas habituais sobre o “de onde venho, para onde vou”. É claro que há melancolia, que esta Sharon tem namoros mal terminados e viagens interestaduais que a levaram a ver estrada a mais – habitualmente isso significa ideias em excesso, raciocínio que sobra e faz doer. Mas tudo isto é enrolado em mortalha de queima rápida. Todos os relatos nos são oferecidos com impacto de quem não tem mais tempo para moer sobre o passado e escolheu debitá-lo em disco. Não é coisa de adolescente, de auto comiseração usada como troféu de crescimento. Provavelmente ajuda (e muito) a produção de Aaron Dessner, dos The National, habituado a tristezas de corpo adulto.

(publicado no i)
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Uma resposta a Sharon Van Etten, ‘Tramp’: senhora dona melancolia sem tempo a perder

  1. Nuno Rebelo diz:

    Conheci-a há muito pouco tempo, infelizmente pois vai já no seu 3º álbum e a descoberta foi do muito meu agrado. Foi no blogue do Pedro Adão e Silva, o Léxico Familiar, num post com o título “Como dar 10 a zero à Lana del Rey”. Em espessura, genuínidade, honestiade dá, garantidamente, em qualidade musical não será 10 a zero porque a Lana tem uma réstea de interesse, mais por isso. E a verdade é que suspirei quando vi a Lana pela primeira (segunda, terceira….) vez mas ver a Sharon Van Ettan a cantar com aquela expressão de quem realmente sente o que canta (como bem deixas adivinhar nesta óptima crítica que escreves) no festival de Bonarro (e ela que de facto não é bonita nem esbelta) deixou-me muito pelo beicinho. Gosto de miúdas com conteúdo e esta é uma dessas. Ouvir um “Don´t do it” (Epic) é algo de arrebatador, naquela repetição de toada e naquela letra enorme (e que bem um crítico do Actual do Expresso desmontou as ridículas letras abaixo de simplórias da Lana del Rey). E como se não bastasse a boa música da Sharon, ela vive em Brooklyn (coisa nada desprezível) e é amiga da Julianna Barwick (mais suspiros etéreos). Pena não ter vindo ao Music Box fazer a 1a parte dos Megafaun (pena eu andar mal de massas e não os ter visto), pois tem feito umas quantas pelo menos nos EUA.

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