Leonard Cohen: ‘Old Ideas’

Nunca vai haver ninguém a cantar a melancolia apaixonada como Leonard Cohen. A razão é simples: quem quer que se atreva, se o quer fazer como manda a lei, tem que seguir os princípios que o homem impôs. Porque antes de Cohen, este lamento eterno de um apaixonado que ama a própria desgraça – e sempre com a camisa engomada – era algo completamente diferente. Ninguém o cantava com um sussurro tão decidido, nem com versos tão simples, porque as almas torturadas estão habitualmente demasiado envolvidas na sua própria miséria para atentar no óbvio com olhos de ver. Tudo isto é maravilhoso, menos para o próprio artista, que tem que lutar com a sua história para poder editar um novo álbum, oito anos depois do anterior, “Dear Heather”, mais de 40 após a estreia com “Songs of Leonard Cohen” (1967). Daí que por entre as canções-jóia deste “Old Ideas” – o título até pode não ter sido escolhido de propósito mas a ironia fica-lhe mais que bem – surjam momentos de mel-e-rosas em exagero, com soluções de romance desfeito próximas do folhetim. É esquecer isso e concentrar atenções nas valentes trovas enamoradas que este cupido-mestre continua a assinar.

(publicado no i)
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