(Hoje há disto no Lux – 2) The Pyramids: Afro tudo e mais alguma coisa

O nome de baptismo de Idris Ackamoor é Bruce Baker mas o mais certo é já nem o próprio ter memória disso. O saxofonista, actor, perito em sapateado e visionário psicadélico tem mais que fazer. Motivou a reunião da banda que fundou em 1972, os Pyramids, e isto do mundo “afro-espacial” não dá lugar a detalhes miseráveis. “Afro-espacial, sim, isto é indescritível. Tu nunca viste, tu não sabes”, diz-nos Ackamoor. E quem não sabe não fala. A não ser do que há para escutar. Recordando os três álbuns: “Lalibela” (1973), “King of Kings” (1974) e “Birth/Speed/Merging” (1976). É passar os ouvidos por aqui e perceber porque é que Caribou convidou estes americanos: dissolve-se tudo no ar.

Separaram-se em 1977. Antes disso, foram iluminados aprendizes do jazz e discípulos do Black Music Ensemble de Cecil Taylor. Até que foram para a Europa e para África. As viagens deram-lhes a volta a cabeça e nós agradecemos. “Em África começámos por Marrocos mas rapidamente chegámos ao Gana. Aprendemos com os percussionistas xamãs, gravámos sons que nunca tínhamos escutado antes. Depois vivemos perto de Nairobi, numa plantação de café. E todas as semanas apareciam turistas, a querer participar em sessões de oração e dança. E nós a tocar!” Assim aconteceu, antes de tudo acabar e ficar em menos do que banho-maria durante mais de 30 anos. “Porquê?” Sim, porquê, Idris? “Porque tínhamos vinte e poucos anos, porque queríamos muito mais mas não sabíamos bem o quê, porque o meu casamento acabou e ela fazia parte da banda. São boas razões, não?” É, são boas razões.

Poucos anos de trabalho mas que bastaram para misturar o improviso com o nervo avant-garde e as tradições africanas em algo… “Estratosférico, é a melhor palavra.” Como nenhuma outra coisa. “Claro. Naquele tempo havia o Art Ensemble de Chicago, o Sun Ra… mas nada como nós.” Idris formou depois o colectivo Cultural Odyssey – “para continuar a fugir a um emprego das nove às cinco” – e viu o seu percurso musical recuperado pela colectânea “Music of Idris Ackamoor”, em 2006. Veio depois a reunião da banda e o regresso ao estúdio. O título do novo álbum será “Otherwordly”. Do outro mundo, claro, só podia.

(publicado no i)
Anúncios
Esta entrada foi publicada em Música, The Pyramids. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s