(Hoje há disto no Lux – 1) Four Tet: Futurismo digital e pastéis de nata

A Kieran Hebden dêem-lhe pastéis de nata. Façam-lhe a vontade e ele promete simpatias. O homem não tem culpa de se render por tão pouco. Esteve em Portugal em 2003, quando os Radiohead por cá andaram pela última vez. Cinco noites, três em Lisboa, duas no Porto, e Kieran em todas elas, a revelar-se ao mundo como Four Tet, ainda a medo: “Nessa altura estava a começar a fazer apresentações ao vivo, performances electrónicas. Foi com esse convite, com essas primeiras partes, que comecei a levar tudo isto mais a sério.” E pelo caminho descobriu que pastéis de nata como os portugueses não há. “Em Londres, por exemplo, são muito populares, mas não são assim tão bons, nem de longe”, diz.

Hebden junta tudo e reconhece que voltar a Portugal é coisa boa, pois então. O músico confessa que isto já devia ter acontecido: “O Lux tentava agendar-me uma noite há um par de anos mas a coisa estava difícil.” Dan Snaith tratou do assunto. Depois de Kieran ter programado o festival ATP Nightmare Before Christmas em Dezembro passado (Minehead, Inglaterra) com Caribou, este último convidou-o a alinhar na festa Green Ray de hoje. Entre os dois há respeito, admiração e outras qualidades diplomáticas mas a verdade é que estes criativos crónicos são amigos mesmo quando estão à civil, ainda que tudo se misture: “De todos os músicos que conheço, o Dan é dos que tem gostos e interesses mais próximos dos meus. Aliás, temos por hábito partilhar o trabalho que vamos fazendo, trocamos opiniões sobre a música de cada um.” Uma pista: hoje vai haver DJ set conjunto entre Caribou e Four Tet. “Três discos para cada um, à vez” é o que se sabe. Ou de quando os prodígios até são seres sociais.

Depois dos Fridge, banda que Hebden integrou e que o levou a experimentar as coisas do pós-rock, o projecto Four Tet nasceu em 1998. Explicá-lo “é difícil”, diz–nos o próprio. “Tenho trabalhado com tudo e com todos [entre os mais recentes estão Steve Reid, Burial ou Thom Yorke]”. Mas e por estes dias? “Ando numa de música de dança, club culture, estou a regressar a essas influências”, avisa, que é como quem diz “isto pode mudar tudo num instante”. Kieran Hebden é coleccionador compulsivo de discos – “Londres é boa para coisas novas, Nova Iorque para lojas de segunda mão” – e em gente desta não se pode confiar.

(publicado no i)
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