Alpinismo

Chegar a Seia e entrar num restaurante que quer ser uma esplanada para fotos de luz fraca e, ao mesmo tempo, um restaurante de enorme tom mas vai na volta não consegue e ouvir Katie Melua porque é o único disco à mão; na Covilhã, com o azar das coisas académicas no seu início, escutam-se é os pregões dos caloiros, como quem diz “mãe, aqui não m’apanhas tu”; no sabugueiro, a tal aldeia mais alta das redondezas, no meio de casacos de pele, queijo aos quilos e outras graças da região, há só televisões no horário das desventuras de terceiros; em Gouveia passa um carro com embaladeiras e sua banda sonora e um telemóvel sem headphones mas com o alfabeto da MTV decorado; em Belmonte, das gincanas de difícil compreensão vindas das lojas de poucos euros ao condutor que quer ultrapassar como poucos; a vida calma de Valhelhas, com um sino que não toca mas com sotaques vindos de outra parte qualquer no largo da mesma igreja. Melhor que tudo, certo como em mais nenhuma parte: no alto da Serra. Nada que se ouça.

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