Mulheres: nunca tenham uma relação com um fã dos Smiths

Courtney E. Smith é jornalista e colaboradora habitual do site Flavorpill. Mas, verdade seja dita, preocupa-se mais com discos, bandas, datas de edição e lançamentos em vinil que outra coisa. “Record Collecting for Girls” é o guia que propõe para sobreviver à melomania e fazer bom uso do vício.

O que se aprende sobre alguém pela sua colecção de discos?
Tudo. Se gostam da mesma coisa que nós, se são pessoas que procuram completar os espaços em branco ou apenas ficam com o que vêem, se são populares ou mais profundas, se gostam de coisas alegres ou realidades mais sombrias ou mesmo se estão no meio. E isto é muita coisa.

E se a pessoa em causa não tiver discos mas sim um colecção enorme de MP3?
Provavelmente é alguém muito novo. Ainda que muitos coleccionadores de discos estejam a fugir para o formato digital, mais que não seja pela imediatez que permite. Mas isso não importa, desde que as colunas ou os headphones tenham bom som.

E a colecção musical, em discos ou no computador, é importante, por exemplo, numa relação?
Não consigo imaginar uma relação sem partilha de mixtapes, sem batalhas de YouTube até à morte, cheias de mensagens codificadas, sem que as pessoas falem através de letras de canções.

E há bandas que fazem a diferença? No seu booktrailer fala nos malefícios de ter uma relação com alguém que goste dos Smiths.
É o que digo às mulheres: nunca tenhas uma relação com um tipo que goste de mais dos Smiths. E o “de mais” é importante, porque é impossível não gostar dos Smiths. Mas os gajos que os veneram não são os gajos certos. Só para ser amiga, porque consigo escutá-los durante horas enquanto eles falam sobre a maneira como destruíram a sua mais recente relação.

Este livro é, então, um guia para mulheres que querem coleccionar música? Ou é mais um documento confessional, sobre uma mulher e os seus discos?
É tudo isso ao mesmo tempo. Escrevi cada pedaço do livro com uma amiga diferente no pensamento. Pelo meio, algumas partes nasceram da história da música, outros surgiram de experiências pessoais.

Acredita que existe um disco ou uma canção perfeita para cada ocasião?
Claro. E que piada tem a missão de as descobrir. E, ao longo do tempo, actualizar essas associações com o conhecimento que vamos ganhando. A minha noção de “canções para todos os momentos” é tal que odeio DJs de casamento. Se algum dia me casar, faço uma playlist e ninguém pode mudar nada. E há outras tarefas para as quais tenho banda sonora definida.

Por exemplo?
“To The End” dos Blur pode ser boa para o fim de uma relação, mas não para todas; “Baby Love”, para quem vai ser mãe; “A Good Man is Easy to Kill”, dos Beulah, para um acidente de automóvel; “The Rip”, dos Portishead, para uma tempestade; os The Damned com “Neat Neat Neat”, para limpezas em casa; “Get Up”, dos R.E.M, para acordar; a óbvia “Bycicle Race”, dos Queen, para andar de bicicleta; e os M83 com “Highway of Endless dreams”, para conduzir.

Coleccionar discos, é diferente entre mulheres e homens?
Acima de tudo, coleccionar discos tem regras, seja para quem for. Interessante mesmo é perceber como a música digital está a mudar o jogo. Já não podemos falar em “procurar aquele single em vinil, aquela edição limitada”. E acompanhar esse processo é incrível.

publicado no ‘i’
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