Ben Chasny: o homem, a guitarra e toda a música que couber em palco

Ben Chasny gosta de nós e nós – tem de ser – agradecemos. Colocamos os porquês entre aspas: “Tenho as malas feitas e estou pronto para sair de casa a caminho do aeroporto. Estava apenas à espera do teu telefonema”. E é isto, os nomes grandes da música alternativa americana são gente de simpatia, de entrega à divulgação da sua obra e das suas manias. Porque é que generalizamos? Porque se Chasny é assim, muitos outros procurarão ser a mesma coisa. O homem é um desafiador das coisas da pop, o tal que gosta tanto de uma guitarra acústica e suas histórias como dos compositores minimalistas e de cantos psicadélicos. E porque outros o seguem nessa demanda, arriscamos o estereótipo. O músico procura fazê-lo com (sobretudo) os Six Organs of Admittance (SOOA) e os Comets on Fire, mas hoje, em Lisboa, apresenta-se sozinho, ele e uma guitarra. Porque é um momento criativo ímpar? Não, melhor, uma epifania interpretativa? Nada disso: “Simplesmente posso fazer o que me apetece.” Também serve.

O americano que vem de Massachusetts (onde tem morada por estes dias) vai apresentar o mais recente álbum com a assinatura SOOA, “Asleep on the Floodplain”. E, assim sendo, se em palco vão estar canções nascidas em grupo, porquê um homem sozinho para as apresentar? A primeira razão é óbvia: é Chasny que escreve tudo o que se ouve e, portanto, tem toda a legitimidade para fazer o que lhe der na gana com o dito material. A segunda é mais espirituosa: “Isto permite-me ter uma relação próxima com a minha guitarra acústica e oportunidades dessas são de aproveitar.” O músico diz-nos que “sim, são apenas seis cordas, mas têm muito mais segredos do que sugerem”. E esta coisa de tocar sozinho com uma guitarra dá-lhe espaço para se perder nesses meandros.

Mas não há cá manias de jam session, estes concertos em Portugal não serão momentos de desvario nem de improviso, não há tempo para isso. Na verdade, o artista tem outras preocupações: “Não consigo fazer um concerto sem ter um alinhamento, muito menos se estiver sozinho em palco. É o meu apoio mais importante, a forma de não me perder entre os holofotes.” Tínhamos Ben Chasny como menos disciplinado. Ouvimo-lo primeiro a dar a volta ao serviço que a folk americana foi fazendo ao longo dos anos. Fez-se herói de gente sem horários para nada, que deu nova musicalidade à boémia, a fazer de conta que o Verão depende da vontade e ponto. O que é isto então falhar os degraus se não estiver apoiado num pedaço de papel com o nome das canções? “Tenho duas faces, nesta coisa da música”, explica. “O palco precisa de atenção, de cautela com o que se faz, porque não estamos sozinhos. É um prazer, acima de tudo, mas também é preciso não esquecer que está ali gente de propósito para ter ver e para te ouvir.” E em estúdio, Ben? “Em estúdio comporto-me como uma criança. Aliás, o último álbum gravei-o em casa, o que ainda torna as coisas mais complicadas. Tudo é uma enorme brincadeira e nada é levado a sério.”

Acreditamos pouco nesta afirmação. Ben Chasny grava disco atrás de disco, demorando, em média, uma semana em estúdio. “Isso tem mais a ver com a minha necessidade em editar discos. Sem discos não há digressões, sem digressões não é fácil viver da música.” Ben Chasny, explorador da música popular feito referência, a sentir a crise. “Nada disso, sempre foi assim, sempre será.”

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