Cansei de Ser Sexy: ‘Isso daí é o que você quiser’

Estamos ao telefone com Luiza Sá – marcámos o indicativo da Alemanha, que a artista brasileira, parte do colectivo Cansei de Ser Sexy, fez-se fã das coisas de Berlim. E logo ao início da curta conversa ouvimos um “por favor, não me faça muitas perguntas sobre o novo disco, é muito difícil para mim falar sobre isso”.
Porque não falar sobre “La Liberación”? Sabe que, no que toca aos CSS, é a notícia do momento.

Sim, eu sei. Mas na última digressão já tocávamos cinco canções novas em cada concerto por isso nada disto é muito novo. E para mim é difícil, estamos dentro do processo todo, precisava de estar mais afastada mas não dá. Talvez gravar e só ouvir o resultado final, com tudo pronto, talvez essa fosse uma forma.

Ou então talvez o problema esteja em falar sobre um disco com jornalistas.

Sim, é verdade, não é a coisa mais interessante. Mas pelos vistos ainda é preciso fazê-la. O problema é que depois acabo por dizer sempre a mesma coisa

Ou seja?

Que o disco foge àquilo que fizemos no primeiro mas que é mais feliz que o segundo; que é uma junção dessas duas experiências, uma energia adolescente, no bom sentido, como se tivéssemos vontade de fazer tudo, muita paixão.

E é tudo verdade?

Claro

Então não há problema, pode repetir à vontade.

É. Mas sabe, o disco poderia ter sido uma coisa completamente diferente.

Como assim?

Tem música rock e música de relacionamento, nunca vamos ser uma coisa só.

O que é isso, música de relacionamento?

O rock é energia pura, é viver o momento. Música de relacionamento é uma coisa menos imediata, algo um pouco mais elaborado, que pode ter diferentes significados. Mas isso não quer dizer que agora esse seja um grupo diferente, que a nossa música é outra. Continua a ser canções de festa, muita dança, guitarras e electrónica, tudo misturado. Na verdade, isso daí é o que você quiser.

Os fãs poderiam ficar assustados.

Não, isso também não. Os nossos fãs gostam do que fazemos mas também já mostraram que nos apoiam nas nossas pequenas loucuras, já me disseram isso na rua.

A Luiza é abordada com frequências pelos fãs dos CSS?

Bom, isso não costuma acontecer mas já aconteceu. Acho que a gente não tem sucesso ao ponto de ser uma coisa ruim, não incomoda a nossa vida. Não é uma coisa que nos obriga a mudar os nossos dias. Veja só: antes do álbum chegar nas lojas, nem tinha vazado em lado nenhum na internet. Isso quer dizer que não temos assim tanto sucesso. E olhe que havia muitos jornalistas com o disco. É muito estranho. E o meu problema nem são os downloads, mas sim que as canções cheguem na net com má qualidade. Mas correu tudo bem. Temos muita sorte e também muita gratitude.

Gratidão.

Gratidão, isso. É muito tempo a falar inglês, às vezes complica.

Algum de vocês continua a viver no Brasil, em São Paulo.

A maioria da banda sim mas eu estou vivendo em Berlim e o Adriano [Cintra] em Londres. Mas a maioria ainda lá está.

São Paulo não é grande o suficiente? Acontece tudo e a toda a hora. Porquê sair?

Nunca acompanhei assim tanto a cena de São Paulo para saber te responder. É uma cidade que sempre vai ter coisa acontecendo. Mas ficar sempre no mesmo sítio é como ter sucesso com uma fórmula de canções e fazer sempre o mesmo, toda a vida. Não dá.

publicado no ‘i’
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