Os Black Lips vão ser uma banda rock’n’roll quando crescerem

Adoramos os Black Lips mas eles não querem saber de nós. Perdemos tempo com as canções que fazem em poucos minutos, com as suas histórias sobre nada nem ninguém em particular, e eles num outro mundo qualquer. Estamos nos concertos impossíveis e irrepetíveis mas, para a banda, cada um desses momentos é apenas mais uma noite de desvario. Mas surge “Arabia Mountain” e convencemo-nos de que esta é finalmente uma banda adulta, que ter um produtor em estúdio significa regras e horários cumpridos, que daqui para frente só há rock”n”roll bem comportado. Marcamos o número, atende o manager do grupo, diz-nos que vamos falar com Cole Alexander, preparamos a primeira pergunta e ouvimos: “Olá, eu sou o Cole. Ou então não sou. Sabe-se lá quem fala deste lado. O que queres saber? Sabes que não estou autorizado a contar-te tudo.”
A tal primeira pergunta já não tem validade, não sabemos muito bem com quem estamos a falar e há dúvidas que consigamos armazenar conteúdo de valor no gravador. Ei-los, Black Lips e suas manias, ou então é apenas marketing agressivo, bem estudado e sempre bem defendido. Já não há guião para esta conversa e, assim sendo, nada como arriscar a pergunta menos necessária: os Black Lips são como lemos e como vemos em palco mesmo quando estão fora-de-serviço? “Sabes, dizer-te que sim ou que não iria ter o mesmo efeito. Digamos que a história do rock”n”roll é feita por quem ouve as canções, pelos fãs das bandas e dos artistas. Assim sendo, o que as pessoas precisam de saber sobre nós é apenas o que é assunto de banda.”

Mal comportados e exagerados sempre que o horário deixa. Pode ser verdade, mas estes Black Lips são gente que conhece os porquês deste quotidiano sem mapa, muito menos despertador. Sabem até que tudo isto vai acabar e vão já dando os primeiros sinais de arrumação. A gravação de “Arabia Mountain” teve produtor – parabéns – e o nome em questão, Mark Ronson (que foi de Amy Winehouse aos Duran Duran) não parece escolha de um grupo de despreocupados de garagem. Ainda pensamos estar a falar com Cole Alexander, por isso: Cole, que tens a dizer sobre isto, os Black Lips são quase adultos e a caminho de um moderado estrelato, o possível, digamos? “O Mark não nos impôs regras nem nos obrigou a seguir um método específico. Ele esteve connosco para aproveitar o que fazemos de uma outra forma, para que o trabalho não chegasse até quem o escuta como uma coisa bruta. Já isso da pop… a pop é quando o homem quiser, é escolhido e catalogado. Já agora, ainda acreditas que sou o Cole?”

Claro que sim. Cole, o especialista nas coisas da populaça, na cultura urbana de massas armada em guloseima apenas para especialistas em alternativas de caves escondidas. “É mais ou menos isso”, comenta o próprio. “O que fazemos não é propriamente novo. Das coisas do rock feito nas garagens, do punk e seus derivados, já a História contou muito. Porque é que não somos uma banda de estádio, um sucesso de vendas? Hmmm… Não sei. tens alguma ideia?”. Dizemos-lhe que mudar um pouco a produção fotográfica pode ajudar, mais penteados, menos fumo. “Pois. Acho que não vai resultar, isso dá imenso trabalho e duvido que o retorno justifique o esforço. Talvez quando formos mais crescidos.” Uma banda séria? “Não, uma banda a sério.” Claro.

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