Aloe Blacc: “Isto não é um vídeo do YouTube, isto é a sério”

Egbert Nathaniel Dawkins III, isto é lá nome de músico cool, de artista das coisas da cidade em Verão eterno? Claro que não. Daí Aloe Blacc, assinatura com muito mais pinta, que tanto serve as exigências do hip hop como as da soul, a tal que deu fama ao homem – a responsabilidade é, em boa parte, do álbum “Good Things” e da canção “I Need a Dollar”. O músico regressou a Portugal, meses depois de uma actuação na Aula Magna, em Lisboa.

A primeira vez que actuou em Portugal deixou muita gente satisfeita e à espera do regresso. O que aconteceu de especial?
Eu.

Como assim? Não é preciso mais nada?
Não. Tenho muito à-vontade em palco, é um espaço que me é familiar há muito tempo e a descontracção vem muito da minha relação com o hip hop. O palco é o meu escritório, é para onde vou trabalhar. Tu sentes-te à vontade em ligar-me para uma entrevista, eu sinto-me bem com um microfone, a cantar para quem está à minha frente. E as pessoas reconhecem isso, sentem que é tudo muito natural, como se tudo fosse uma festa. Faço com que toda a gente queira cantar e dançar. Isto não é um vídeo do YouTube, é a sério.

Ou seja, medo do palco é uma coisa que não lhe assiste?
Mais ou menos isso. Mais uma vez, a culpa do meu passado em palco.

Quando é que se iniciou no hip hop?
Comecei a dançar aos cinco anos. Aos nove, por aí, já escrevia algumas letras. Aos 15 e 16 comecei a gravar.

Uma actividade tão precoce merece ter continuidade.
Claro. Em breve vai haver mais um álbum de Emanon [Aloe Blacc com DJ Exile]. Mas a dada altura conclui que queria mais, queria fazer outras coisas, cantar canções. Fiz um primeiro álbum, o “Shine Through” [de 2006], em que misturei géneros diferentes e com o qual percebi que a soul music era o meu caminho. E foi daí que nasceu o “Good Things”.

A música soul já existia há umas décadas. Que epifania foi essa que o levou a mudar de rumo?
Senti que as pessoas tinham uma reacção diferente, especial, quando cantava coisas mais soul. Por isso resolvi experimentar um disco só por esse caminho.

É quase um “fazer a vontade ao público”…
Não, isso é impossível. A soul é sinceridade, é real, os instrumentos estão todos lá, não há fachadas.

E neste momento é uma soulstar ou uma popstar?
Bom, dizem que o que é popular é pop, mas nada disto é feito para ser popular, isto é arte.

Sim, mas “I Need a Dollar” passa em tudo o que é televisão e rádio… por falar nisso, existe o perigo de se cansar desse tema?
Não, só se fosse uma má canção, e não é o caso. É como um clássico do Stevie Wonder: pode estar comigo a qualquer momento.

O que fazia antes de ser músico profissional?
Era consultor empresarial e financeiro. Quando tirei o meu curso arranjei um emprego e fiquei por lá enquanto eles me quiseram.

Esse universo continua a ser apelativo?
Acho que vou sempre ter algo de negociante em mim. Mas enquanto músico também o sou, sou o produto, o dono, o CEO…

Presta atenção a tudo isso?
Sim, estou no meio de tudo o que é negócio mas tive de delegar algumas responsabilidades. Já aconteceu ter a minha mensagem desvirtuada e não quero que isso se repita.

Nasceu em Orange County, na Califórnia. Não é a terra mais hip hop ou soul da América…
Não, mas está muito perto de L.A., que sempre teve tudo isso.

Foi lá que criou o seu nome de palco.
Sim. Escolhi Aloe porque o meu estilo é suave como uma loção.

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