Washed Out, ‘Within and Without’: olha a onda

Música às ondas, para fazer parte da moda – o desejo maior de Ernest Green, que, depois de brincar aos compositores e aos estúdios no seu quarto, edita agora um disco com o carimbo da Sub Pop. É o maravilhoso mundo indie a funcionar na perfeição e a dizer que é das coisas mais equilibradas que o mundo pop vive por estes dias. Tudo começa bem porque não há expectativas, mas muito gozo à mistura. Quando finalmente surge o reconhecimento de gente com palavra nas coisas da indústria, o artista em questão tem liberdade para fazer o que entender. A onda vem, recolhe, e volta outra vez, para um empurrão que é obra. Neste caso vem baptizada de chill wave, dizem os magníficos criadores de rótulos para lojas de discos e blogues da especialidade. O nome é ameaçador: espera-se música de fundo, cenário para outras fitas, de maior prioridade? Errado: Washed Out é nome de protagonismo absoluto.

Antes houve “Life of Leisure”, um EP que dizia “estas canções são tudo o que vocês quiserem, ouçam e decidam”. Palavra-chave: diluir. Com classe, sem exageros e a passar a mão no pêlo dos menos dados às coisas das saladas musicadas nascidas da idade (e das potencialidades) do laptop (em inglês, tem de ser, à palavra “portátil” falta-_-lhe coolness). “Within and Without” é a continuação, mas com mais fôlego, inspira-expira com tempo e espaço. Há menos grão e mais tranquilidade. O primeiro nasceu numa divisão de estores fechados, com um Inverno na rua – “deixa-te estar que estás bem”. O novo disco é para levar para todo o lado, veste calções e óculos escuros, vai da piscina ao campo e quer fazer amigos para sempre.

Glasser com menos escuridão, Toro Y Moi sem funk, Neon Indian a puxar menos pelo ácido. Cozido no ponto, mal passado nunca, queimado jamais. Ernest Green faz canções, é a sua ocupação principal. Recibos verdes há depois, na hora de mascarar verso-refrão-_-verso com sintetizadores e batidas, que ora dançam ora fazem sonhar. Isto é música inteligente mas instintiva, electrónica, sim, mas quente quente que é bom. Cabe em mp3 para headphones e vinil de sofá.  Vai de carro para todo o lado e é coisa para deixar saudades com alguns. São voltas e voltas, sem parar. Hipnose colorida que, na verdade, não inova – mas juntar peças assim é obra.

publicado no ‘i’
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Uma resposta a Washed Out, ‘Within and Without’: olha a onda

  1. Hugo diz:

    ao vivo muito em breve cá pelo burgo (Amesterdão) pela módica quantia de 5 euros…. a ver definitivamente

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