SBSR 2011. Festivalar: prodissão dura

Mário é super e não há volta a dar. Demorou horas a chegar ao areal-arvoredo onde o rock”n”roll reservou estadia durante três dias. Foi para a abertura mas antes, durante o pára-arranca que já esperava e, ainda assim, amaldiçoou (a coisa podia durar horas, percebe-se facilmente o azedume), ficou sem a embraiagem do carro – mesmo quem não sabe o que isso é entende que assim não há automóvel e tudo se complica. O que fazer: chegar lá um bocadinho a pé, um bocadinho andando à boleia. Ao segundo dia acabaria por ficar sem tenda, porque desapareceu ou alguém a levou, mais o que estava lá dentro. E tudo isto depois de ter pago 40 euros a mais sobre o preço do passe de três dias. Estava esgotado mas quando chegou às bilheteiras do festival ainda havia: complicado.

O que ganhou o insistente herói? Arctic Monkeys e o rock de cabedal britânico a dizer que já é coisa de estádio; a visita aguardada dos Arcade Fire, com declarações de amor sentidas; os Strokes a explicar o que é isso de estrelato pop com ar de fora-da-lei; o funktrónico assinado pelos Chromeo com a melhor farra de palco; os Portishead a declarar “há coisas que nunca mudam”; os PAUS a encantar os fiéis e a convencer todos os outros; os Glockenwise a explicar como se faz punk rock de camisa bem escolhida.

No meio de tudo isto esteve Mário, na companhia de muitos outros, os que, como ele, seguiram em frente, e os que sofreram nas filas para tudo, sem excepção; que mal ouviram alguns dos concertos do palco principal, onde o som não chegava às últimas camadas de multidão e era abafado pela Tenda Electrónica; e que questionaram as condições do parque de campismo. Luís Montês, da Música no Coração, admitiu à Lusa, no fim do festival, que poderão ser feitos melhoramentos, mas também garantiu que “o pó vai continuar nos próximos dez anos”.

Mário, o homem mais azarado do festival, sabe bem que assim será. Preocupações para quê? É confiante o suficiente para voltar para o ano e acredita no poder motivador de um grande cartaz. Mas, pudesse fazê-lo, partilhava: aqui festivalar é uma profissão dura.

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