SBSR, dia 2. Pó de Rock

Festivaleiro sofre. Nasceu para isso e, na verdade, tal condição nunca será coisa má. É o que é. Se é preciso perceber isso do “trânsito condicionado”, que assim seja. Se há pó e filas para comida-multibanco-casa-de-banho-cerveja, é porque a natureza pop-rock tem destas coisas. Porque depois há versos em português que, raios, de onde vem isto, B Fachada, que quando cantas ao João sobre as dores da sopa há poeira no ar; há um Tiger Man que é lendário, que leva espanhóis (tantos) a perguntar “a que horas é? e em que palco?” – as gentes que se alimentam de riffs e de atitude malvada tinham um herói naquele palco EDP, que confraterniza, se é que o verbo é permitido nesta coisa hedonista dos palcos de Verão; e uns Portishead que podem tudo, como podem. Não sabem fazer de outra maneira, não podem, com densidade ímpar, a meter medo a quem não os conhece, a assustar para seduzir, com Beth Gibbons como musa, curvada, envolta em fumo – se isso não é imagem para senhora de paixões, passa a ser. Mas, como dizíamos, festivaleiro sofre, e em dia de enchente, chegar à frente do palco não é para todos. Resultado: há quem queira mais som e não o tenha, quem queira esquecer a tenda electrónica e não encontre maneira de concretizar a proeza. O volume é bom e todos gostam mas nem sempre há na melhor medida. O que fazer? Por enquanto nada, que Arcade Fire é nome protagonista e tudo pode mudar. Até ao momento em que tal não acontece e para sentir as maravilhas que os canadianos operam há que desbravar terreno. A tarefa é árdua, muitos desistem e há assobios e descontentamento em verbos usados por muitos. Pena, pois. No palco está uma das melhores bandas da actualidade, que perante milhares e milhares actua como se estivesse numa garagem, como se fosse acabar amanhã, a querer genuinamente matar saudades de um público pronto para lhes dar tudo e que há meses esperava pelo momento. A ressaca para que absorveu tudo isto e a redenção para os que queriam mais esteve com os Chromeo, funk com o fio de azeite na medida certa, electro-soul de macho latino e guitar-heroes imaginários. Houve pó e filas para comida-multibanco-casa-de-banho-cerveja, tudo outra vez. Festivaleiro é assim.

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