Optimus Alive, dia 3: pequenas grandes maravilhas

Ao terceiro dia de festival houve atrasos e cancelamentos mas também se viram maravilhas ao vivo. Explicou a organização que uma viga deixou a segurança com dúvidas no palco principal mas no secundário aconteceu o que de melhor poderíamos ter recebido. Ainda houve 30 Seconds To Mars e Chemical Brothers mas felizes os que acreditaram no resto do cartaz. Fleet Foxes e Grinderman disseram que isto do rock está tudo na atitude, seja com manias de reclusão florestal, com a sensibilidade acústica no máximo da afinação, seja com a vontade de partir ferro e de ser maior que os deuses.

Dos Fleet Foxes e das emoções com camisas aos quadrados. A banda tinha dúvidas, estava preocupada com o que se passava no palco Clubbing: grooves e beats, tudo chegava ali, a fazer tremer a apreensão de um vocalista que perguntava “estão a ouvir o que estamos aqui a fazer?”. Ouvíamos tudo, Robin. A fragilidade segura do primeiro álbum, a coragem rítmica – mas ponderada – do novo e segundo longa duração. Uma banda que envolve e surpreende, que canta em harmonia e nos deixa com a mania que também vamos conseguir fazer todas aquelas vozes principais e secundárias. Em disco, os Fleet Foxes são indies feito hippies, com flores no cabelo mas calças justas. No palco, fazem folk de garagem, elegância que veste jeans. Tudo é mais alto, tudo é maior, mas não fica a faltar nenhum detalhe. Quem tem como preciosos os pormenores de canções que demoram meses a ficar prontas em estúdio teve oportunidade de os escutar a todos. E os outros, os que vivem para o refrão, para descobrir segredos e emoções escondidas no tutano das canções, estavam no sítio perfeito. Uma das melhores bandas dos últimos anos. E nós ali no meio, a pensar que a felicidade é uma coisa bonita.

Dos Grinderman e do rock’n’roll como coisa masculina. Nick Cave e Warren Ellis, “partes tu isto ou parto eu?”. Guitarras em feedback – mas, afinal, tudo faz parte da canção. A percussão é quando o homem quiser, com tudo o que estiver à mão. No público há mulheres, o público é deles e tudo o que ali pelo meio se mexer. Revelam-se ali, à nossa frente, homens de coração partido – e o amor, quebrado, é capaz do inexplicável. Feios que são lindos e todos os adoram. Nick Cave é senhor de elegância, mesmo no papel de assassino em potência. O criminoso chega-se à plateia, é abraçado, mãos em toda a parte, partilha o microfone e os versos são de todos. Acabou. Não. O regresso. Sim, é isso, não pode acabar sem sermos atacados de novo. De onde veio aquele som? Ninguém sabe. Há discos com aquilo gravado. Mas venha de lá alguém dizer que aquilo se repete sem suor e electricidade pelo ar. Que engano.

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