Fleet Foxes: todos os querem

Os Fleet Foxes actuam hoje em Portugal pela primeira vez. É a frase-nervo de muito boa gente que prepara caminho até ao Passeio Marítimo de Algés onde por estes dias acontecem coisas festivaleiras. Apostas na mesa: estamos certos que há gente que não quer nada com outros palcos e restante alinhamento. Não há razão para não querer ser testemunha dos feitos dos Friendly Fires, Grinderman, Digitalism ou da prole da Dim Mak Music. Mas aqui deste lado percebemos a preferência (desculpas antecipadas pela ostensiva parcialidade). Como explicá-la com brevidade e a tempo de converter os mais cépticos? Dizer que os Fleet Foxes fazem canções tão frágeis como as dores de crescimento e as heranças de infância – isto é matéria que nasce de coisa pequena e se transforma em assombração, palavra que aqui definimos como “identidade que não nos larga”. Mesmo que Casey Wescott, senhor de teclas, percussões, cordas alternativas e o que mais houver para tocar, explique tudo de forma mais humilde: “Cada um faz o que pode com aquilo que tem.”

Dizemos nós que, no caso dos Fleet Foxes, ou os recursos são generosos ou a criatividade dá-lhes a volta de uma maneira que faz uma boa colecção de invejosos pelo caminho. E com quatro discos na categoria “coisas geniais que aconteceram nos últimos anos”, isto não é um acaso. Recordemos: “Fleet Foxes EP” (2006), “Sun Giant EP” (2008), “Fleet Foxes” (2008) e “Helplessness Blues” (este ano). 2008 foi o ano de viragem desta gente que pegou na folk americana e britânica, a misturou com Bob Dylan e Beach Boys e deixou que as manias de cada um dos músicos fizesse o resto. Sucesso, reconhecimento e elogios em grande quantidades, logo após o primeiro longa duração.

Como ultrapassar os resultados de tamanho feito, segundo Casey Wescott: “Jogámos ao contrário. Atirámos expectativas para dentro do grupo. Se isto foi bom, vamos embora fazer igual mas diferente”. Raio de gente mais aprumada e comprometida com o que faz. “Nada disso, não é mania de engomados”, alerta o músico a tempo de salvar o espírito rock”n”roll que envolve os Fleet Floxes. “Fizemos uma longa digressão após o primeiro álbum, tocámos as canções muitas e muitas vezes. Nem que quiséssemos conseguiríamos repetir as mesmas coisas. E a verdade é que basta um par de anos para uma pessoa mudar. A sério. Não acreditas? Experimenta gravar um disco e, dois anos depois, voltar ao estúdio. Depois diz-me qualquer coisa.” Então está bem, Casey, eu… não, a sério, não vale a pena. Mas obrigado pela dica.

De qualquer forma, o sucesso tem das suas coisas e nem só de canções, concertos e calendários vive a mudança de atitude. Essa coisa de terem sido eleitos “banda do ano”, com o melhor disco de 2008 para dezenas de publicações e críticos de bom nome, não chegou para vos confundir ideias e decisões? “Bom, acho que conseguimos alcançar algum sucesso, mas… vá lá, não somos banda para tocar em recintos desportivos dos grandes dimensões. Os que fazem isso são as chamadas ”mega-bandas”. Assim que puderes, olha para uma foto nossa. Achas que seríamos capazes de ser uma ”mega-banda”?”. Casey, obrigado pelo momento de jornalismo interactivo.

“Helplessness Blues” é antes produto de uma obsessão em estúdio, de um período de trabalho “que chegou aos nove meses, sem ensaios prévios e com mudanças atrás de mudanças”. Sintoma de doença crónica, de vício sem volta a dar. Ou então, é apenas a maldição de Seattle a funcionar. “É uma cidade em que os irmãos mais velhos de toda a gente foram membros de bandas. Fazer isto é a coisa mais natural. Talvez por isso existam tantas coisas interessantes a acontecer na música do Noroeste americano.” É do clima, Casey? “Não, é porque ter uma banda é a única maneira de aprender música neste país. Mas não temos mais tempo, não é?” É, não temos mais tempo.

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