De Sharon Jones no Cool Jazz Fest: safa!

Muitos estavam no relvado cuidado do Parque Marechal Carmona porque o pó do Meco do ano passado lhes deu uma lição daquelas: Sharon Jones é capaz de fazer coisas inexplicáveis. Ainda assim, com a certeza de quem se lembra o que olhos e ouvidos registaram, é fácil chegar a um concerto da “senhora soul” e seus Dap-Kings com a verdade “isto vai ser um concerto do caraças” e perceber que é tudo ainda melhor. Não é para todos, aconselha-se rotina e a mania das grandezas a quem quiser aproximar-se de feitos como estes. E com esta gente fala-se de quê: de soul e funk, música de trabalho ou sexo cantado, depende da hora do dia e da vontade. É o operariado da música popular, a suar porque não sabe fazer as coisas de outra maneira. Taylorismo musical, com cada um a fazer o que lhe pertence. O resultado não sabe ser imperfeito e os músicos alimentam-se automaticamente desse sucesso: chama-se gozo, puro prazer, uma cambada de hedonistas que, lá por acaso, contagiam quem os vê e ouve com um dinamismo ímpar. E Sharon Jones a mandar, com toda a garimpa do chefe mais poderoso mas sempre diplomático – “façam como eu mando, se fazem favor”. E eles fazem, não sabem melhor, nunca seriam capazes de melhor. Sharon Jones canta e dança e convida gente ao palco e é sensual e é mãe de todos (o quê? isso mesmo) e é um vozeirão que não existe e é uma estrela pop. É tudo o que quer ser, e isso não é para todos, é para quase ninguém.

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