Gostar dos Tinariwen é fácil. De tão fácil parece cliché: as raízes do rock’n’roll nas formas primordias dos blues; a ligação à Terra e, por inerência, à vagabundagem de um qualquer Verão festivaleiro, de pés nos chinelos e autocaravanas; e a inevitável sintonia com o lado étnico da questão, a coolness de querer acompanhar algo que, aparentemente, não faz parte do quotidiano urbano de quem se move entre CD, MP3 e outras siglas que tais. Mas toca de ouvir “Tassili” como obra única, coesa e fluida e a simplicidade arruma todos estes lugares comuns a um canto. Isto é história e progresso dentro da linhagem da música popular. E ao sê-lo chega a todos conforme as regras domésticas de cada um. Não é uma especiaria musical, é um produto industrial, mas resulta de um processo de fabrico que admite recursos menos comuns.
Dois elementos revelam-se fulcrais neste corpo abrangente de “Tassili”. O primeiro diz respeito à continuidade em estúdio do trabalho que a banda tem feito fora dele, através de digressões por todo o mundo, com destaque para os EUA, onde os Tinariwen foram de destaque da world music a coisa indie digna de atenção destaque me brooklyns de diferente natureza. O segundo tem a ver com a abertura que a banda demonstrou na hora de admitir colaborações, como as de Nels Cline (Wilco) e dos TV on the Radio. Para quê isto tudo? Porque esta música do mundo faz-se do mundo que rodeia o Tinariwen, gemte inclusiva nas música das suas tradições, que aqui permanece. São ainda e sempre as guitarras do deserto, o embalo psicotrópico do Mali, o nomadismo cantado em seis cordas. Uma banda que chora os seus males, das suas gentes, das guerras às demais desventuras que os acompanham, mas para que todos as ouçam, desligando a electricidade e amplificando a acústica das guitarras. É uma jam gigante de trovadores sem pouso mas com muitos carimbos no passaporte. E genial.
