Arctic Monkeys, ‘Suck it and See’: Da arte de fazer roupa velha

Para nosso bem, e para graça da saúde criativa dos Arctic Monkeys, os primeiros temas que conhecemos de “Suck it and See” (“Brick By Brick” e “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair”, geométricos a atirar para o aborrecido, de distorção fácil e em quase nada contagiantes) não são bom exemplo para percebermos de que é feito o novo álbum da banda. Ainda assim, as notícias que davam como certo o regresso aos impulsos garageiros que fizeram os primeiros álbuns são manifestamente exagerados. Em “Suck it and See” há muitos restos da aventura que foi “Humbug”, da influência de Josh Homme e das paragens americanas que têm servido de abrigo aos Arctic Monkeys. Mas por ser menos temperada (muito menos), nem essa marca é evidente. Apenas a consequência inevitável da maior mácula deste quarto álbum dos heróis de Sheffield: a falta de intenção ou de quando a preguiça é uma estrela pop.

Em tempos (entre 2006 e 2008), os Arctic Monkeys foram nervosos, recheados de ânsia, acreditavam que tudo o que era banalidade podia dar uma canção e nós, perdidos entre rimas nascidas num táxi a más horas, fomos no engodo da coisa, a acreditar que a má vida é possível a qualquer idade, que os seus resultados só podem ser bons, mesmo quando são maus. Cinismo e ironia, sim, mas a apontar para o bem comum. Ao terceiro álbum, de 2009, as rimas passaram a ser românticas, um exercício que deixou de ser instintivo para ser resultado de matemáticas sentimentais – a diferença surpreendia mas o bom gosto imperava, deixando (quase) todos satisfeitos.

Em “Suck it and See”, os Arctic Monkeys querem recuperar alguma da pinta britânica que já tiveram mas sem perder a pose de “easy rider” que não conseguem largar. O resultado é confuso, a reclamar por poucos lugares cativos num alinhamento ao vivo. Ainda motiva o reflexo “há quanto tempo não vejo um concerto rock’n’roll, que isto mexe comigo” mas a sua inconsistência, enquanto álbum – próximo de uma colecção de restos de todos os outros – não vai muito mais longe. Há por aqui algum sabor a desilusão, depois de três discos de referência e de um “Submarine EP” de Alex Turner a solo que é qualquer coisa.

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