The Strokes: ‘Angles’

As notícias e os comentários antecipados davam como certa uma difícil relação em estúdios entre os cinco que compõem os Strokes. Gente parida pelo rock’n’roll, com os meios e os conhecimentos suficientes para terem mais que fazer em Nova Iorque do que tornarem-se reclusos de um estúdio para gravar canções. Até porque já não estamos em 2001 e já não revolução a fazer. Jack White dissolveu os White Stripes e o futuro pertence à internet e aos que fazem discos no quarto. A sorte desta realeza em terras de fraca monarquia é a inaptidão para fazer maus discos. Mas para quem assinou “Is This It” e fez parar o movimento de rotação de todas as coisas pop, não basta ter um suficiente no final do período.

Julian Casablancas nunca esteve em estúdio com a banda. Relatos de repórteres – cujas intenções desconhecemos – dizem que o vocalista apenas se meteu nisto de gravar “Angles” pelo dinheiro da digressão (que os traz a Portugal ao Super Bock Super Rock).  E os restantes músicos apareceram sem horário nem escala de serviço, montando um disco com peças que encaixaram com esforço. O resultado é um disco que seduz, desilude, engana e depois satisfaz. Acreditamos que tudo está bem com o a ganga e o cabedal de 70s e 80s em “Machu Picchu”, “Under Cover of Darkness” e “Two Kinds of Happiness”. Temos dúvidas com “You’re So Right” e a vigem pelo meio do álbum, quando juramos estar perante uma obra a solo de Casablancas (não precisávamos disso agora). Há uma segunda hipótese em “Gratisfaction” – daquelas canções que serve para a manhã, a tarde ou a noite, desde que seja sempre Verão. E um final mais pensado, de estruturas incertas mas mais cativantes, com as tais guitarras em diálogo nervoso que tão bem lhes ficam.

Pouco depois, a verdade: satisfeitos com o álbum pelas suas canções ou porque é o regresso de uma das melhores bandas da última década e isso significa concertos e afins? Com o segundo, de certeza. Quanto ao primeiro falta-lhe insegurança para ser desafiante. No livreto do disco, vemos os Strokes em pose de top model de glória urbana. Parece não quererem muito mais do que têm e isso compromete-lhes o futuro.

publicado no i a 19 de Março
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Uma resposta a The Strokes: ‘Angles’

  1. flaviomc diz:

    Muito bom review.
    Obrigado!

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