Nada de sustos com a capa de gosto duvidoso. O que acontece em “Cape Dory” merece toda a atenção. Como se os Belle & Sebastian deixassem de ter medo do sol; como se os Walkmen fossem, na verdade, uma banda de gente de bem com vida, capaz de escrever canções sobre contentamento. Duo marido e mulher, com morada fixa em Denver mas que viajou durante seis meses num veleiro, ao largo da costa leste dos EUA. Rock dos anos 50 ou os rebuçados pop das girl band dos 60 num conjunto de canções viciantes.
Não importa que rótulos como “música para ouvir num descapotável – ou numa viatura com os vidros abertos” sejam associados a carimbos de mau gosto. Os Tennis não querem ficar na história e nós agradecemos a falta de ambição desta gente. Provavelmente, repetir a escrita de temas tão açucarados será coisa impossível. E ultrapassar uma época festivaleira que seja vai ser memorável. Mas é só lembrar a falta que fazem versos sem exercícios de filosofia de grau superior que perdoamos muita coisa – a falta de sal refinado nas melodias, as vozes que poderiam ir tão longe e ficam a meio caminho, os arranjos mínimos, previsíveis até. Porque o espírito solarengo de um Phil Spector redimido de seus pecados é capaz de maravilhas.
