Entre concertos, a pagar contas e a resolver questões no banco. Theresa Wayman é uma estrela dentro do circuito de não-fama que rodeia tudo o que tem o apelido “alternativo”. “Ligaram-me com dúvidas de contabilidade quando estava algures a preparar-me para subir a um palco. Não sei se já sou uma artista a sério. Se assim fosse, estas questões nunca passariam por mim, acho.” É um dos elementos das Warpaint, girl band que, apesar destas obrigações de vida real, tem o sucesso como coisa garantida: “Quatro miúdas com alguma roupa interior nos telediscos? Não há como falhar.”
A música é em tudo distante da família fio-dental-MTV que cria modas adolescentes e conquista lugares de destaque nas tardes-noites Singstar. Descrição rápida, para tentar cativar curiosos que ainda não conheceram o disco, “The Fool”: como se os The xx tivessem uma bateria no lugar da caixa de ritmos e escrevessem canções enquanto vêem filmes de Tim Burton e David Lynch. Porque os temas deste primeiro longa-duração são pesadelos musicados, com charme e sedução, tudo em formato pouco ortodoxo. Explica, Theresa, para que não falhe nada: “Vamos conquistar espaço próprio porque ninguém o ocupa, ninguém escreve e canta negro com esta luminosidade.” Dizemos-lhe que o ego é coisa bonita. Responde-nos: “E vai muito bem a quatro vozes.”
Até há um ano, Warpaint era a banda de Shannyn Sossamon, uma actriz ainda há procura do estrelato mas já com nome suficiente para requisitar a Los Angeles – a cidade que é a base do grupo – algum tempo de antena à música que fazia. Contudo, só depois da saída da pin-up roqueira é que as ideias ganharam corpo adulto e seguiram o circuito procura editora+assina acordo+edita disco+faz digressão. As novas contas criaram o sucessor de “Exquisite Corpse”, o EP editado em 2008, com a bênção de John Frusciante e Josh Klinghoffer, ambos donos, em tempos diferentes, da guitarra dos Red Hot Chili Peppers. “Podíamos ter feito a nossa editora e tomar conta de tudo”, confessa-nos Theresa Wayman. “Mas fazer esse tipo de trabalho não é para nós. Estamos nisto para escrever canções o dia inteiro, não nos podemos perder com questões secundárias.”
Entregues à Rough Trade, os tais que vão dos Smiths aos Strokes, as Warpaint descobriram o abrigo ideal para fazer pop flutuante mas densa, canções que parecem corredores estreitos. Como se Syd Barrett e os seus Pink Floyd vestissem saias e se preocupassem de facto com a estrutura das canções (não o fizessem e as Warpaint seriam ainda mais interessantes). Theresa Wayman, uma das vozes da banda, diz que “a escrita é nervosa e espontânea, quase como coisa de adolescente”. Tudo o que é anseio foi parar a “The Fool”. Sim, esta banda é de Los Angeles, capital do showbiz, cidade “sol-e-praia” por excelência. Mas as Warpaint têm raízes no noroeste, na Portland de íntima ligação com a reclusão urbana. “Los Angeles tem a sua cena muito própria. Como Londres ou Nova Iorque, é uma cidade onde tudo acontece. E se tem tempo para brilhantina também pode ser um deserto.”
Theresa Wayman agradece as contrariedades e prossegue: “Obriga pelo telefonema. Agora tenho de ir pagar a renda.”

Olas, ví um show no canal Mult Show, meu adorei, meio coisa dos anos 80´s (dark side…) tipo Cocteau no início, meio Sundays, ou meio Mazzy Stars, isso tinha que ter uma dedilhasdas de guitarrista Frusciante… o engraçado que Los Angeles ficou um pouco nublada, é bonita (para não esquecer Beach House).
Mas valeu, back to 80´s again again again…..